O presidente da construtora Marcelo Odebrecht, filho do fundador, foi preso em 2015 e condenado pelo juiz Sergio Moro, há anos de prisão por liderar os empresários em uma esquema de distribuição de dinheiro aos políticos. Segundo relatos, a empresa tinha até uma espécie de "departamento de subornos”.

No início, o herdeiro da construção do império se recusou a cooperar com a polícia, mas finalmente concordou em contar tudo o que sabia e depois dele dezenas de outros líderes concordaram em cooperar em uma delação premiada, fornecendo informações em troca de redução de sentença.

Foi assim que o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho, explicou que Michel Temer solicitou cerca de 10 milhões de reais para financiar sua campanha eleitoral em 2014, quando ele era ainda vice-presidente no governo de Dilma Rousseff.

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O pedido aconteceu no Palácio do Jaburu, a casa da vice-presidência, na presença do atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do conselheiro e amigo de confiança de Temer, José Yunes.

Yunes anunciou sua saída do governo de Temer na última quarta-feria (14) e se tornou a primeira vítima política das acusações temidas da #Odebrecht.

Vários analistas políticos apontaram que outros ministros poderiam renunciar e a pressão contra o governo de Temer só aumenta nas ruas, mas, até agora, o presidente simplesmente nega "veementemente" todas as alegações, como ele disse em um comunicado.

Nas eleições de 2014, a empresa doou cerca de 50 milhões de reais para senadores e representantes de praticamente todo o arco parlamentar.

As histórias da Petrobras e Odebrecht caminharam juntas desde a sua fundação, no estado da Bahia, pelo engenheiro Norberto Odebrecht, em 1944, uma vez que, em 1953, ele participou da construção de um gasoduto no mesmo estado.

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No final dos anos 60, foi a Odebrecht a empresa responsável por elevar a sede da Petrobras, no Rio de Janeiro e, desde então, as duas empresas se tornaram símbolos da força econômica do Brasil.

Em 2002, sob o governo de Fernando Henrique Cardoso (Partido da Social Democracia Brasileira) os dois gigantes se uniram para criar a Braskem, maior empresa petroquímica da América Latina, de propriedade de 38% pela Odebrecht e 36% pela Petrobras.

A empresa está presente em praticamente todos os escândalos de #Corrupção que vieram à tona nos últimos meses. #Michel Temer