No último domingo, 5, cerca de 500 mil brasileiros foram às ruas em cidades de todo o Brasil para protestar contra o pacote anticorrupção aprovado na #Câmara dos Deputados. De acordo com os críticos do pacote, as medidas - ao contrário do que o nome diz - vão dificultar a identificação dos crimes de corrupção e inviabilizarão a prisão dos criminosos. A mensagem das ruas, alta e clara, foi ouvida pelo presidente da República, #Michel Temer. Entretanto Temer pode estar de mãos atadas. A revista Época flagrou conversas e trocas de mensagens entre deputados com uma ameça clara ao presidente: "Se Temer vetar (o pacote anticorrupção), vai ter de arrumar suas malas e voltar para casa".

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Em outras palavras: se o presidente da República decidir ceder aos apelos das ruas, deputados e senadores realizarão um novo impeachment.

Agora Michel Temer tem uma difícil escolha a fazer: ceder às pressões dos parlamentares que estão em pânico com os avanços da Lava Jato e são capazes de fazer qualquer coisa para não serem presos, ou ouvir o povo. Analistas acreditam que Temer está mais inclinado à segunda opção. De acordo com a revista Veja, o presidente teme que, caso o pacote anticorrupção seja definitivamente aprovado no Senado, os protestos de rua se espalhem e atraiam ainda mais gente, se transformando em uma nova onda como a de 2013.

A situação de Temer é tão complicada - a economia não dá sinais de recuperação e a crise política entrou definitivamente no Palácio do Planalto, com o episódio Geddel - que o próprio medo dos protestos está causando um desgaste na sua imagem.

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Durante o enterro dos jogadores do time da Chapecoense, que comoveu o país, Temer cogitou não estar presente, por medo de ser vaiado. A atitude foi muito criticada pela opinião pública.

O pacote anticorrupção

A Câmara dos Deputados alterou, no último dia 30, um pacote de medidas anticorrupção propostas pelo Ministério Público. Entre as medidas eliminadas pelos deputados estavam a criminalização do enriquecimento ilícito, a suspensão do registro de partidos envolvidos em irregularidades e a criação de regras para beneficiar denunciantes em órgãos públicos. Para piorar, os deputados inseriram no pacote medidas polêmicas como a punição de juízes e procuradores.