A delação do fim do mundo. É assim que estão sendo chamados, nos bastidores, os primeiros documentos com o que disse, em delação premiada, Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais de uma das maiores empreiteiras do país, a Odebrecht. O depoimento dele foi apurado por procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Os primeiros documentos dão conta de que o delator diz que, o hoje presidente da República, #Michel Temer, do PMDB, teria solicitado dez milhões de reais em dinheiro vivo ao empreiteiro Marcelo Odebrecht. O empresário está preso graças à operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sérgio Moro.

Cláudio diz que o pedido de Temer foi realizado em 2014, por meio de caixa dois.

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O nome de Temer não foi o único citado. Ele diz nomes como o de Renan Calheiros, presidente do Senado, como beneficiários de doações legais e ilegais. A campanha de José Serra à presidência, por exemplo, teria contas ilegais em mais de vinte milhões de reais no exterior. Todos os citados nas reportagens sobre os primeiros documentos a respeito da delação do ex-vice da Odebrecht negam que tenham cometido qualquer irregularidade. Um deles é o próprio Michel Temer, que diz repudiar qualquer crime que possa ser atribuído a ele.

O delator é apenas um de 77 executivos da Odebrecht que assinam a chamada delação premiada. Nesse tipo de depoimento, os depoentes precisam provar o que falam. Caso tudo se comprove, eles têm redução da pena, pois ajudaram nas investigações. O esquema de delações tornou-se muito popular durante a Lava Jato.

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O Palácio do Planalto enviou uma nota à imprensa dizendo que as doações feitas pela Construtora ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Temer nega que tenha recebido "caixa 2" ou que tenha pego tamanha quantia em dinheiro vivo.

A delação virou o principal assunto da imprensa. A Revista Veja traz, nesse fim de semana, uma ampla reportagem sobre o assunto, que deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas.