Em outubro de 2016 foi instaurado processo disciplinar contra #Jean Wyllys, do PSOL, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar, referente a episódio ocorrido em abril, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em que Wyllys cuspiu em Jair #bolsonaro, do PSC.

O próprio Jean Wyllys confirmou, à época, que seu ato havia sido em reação a insultos e provocações feitos por Bolsonaro enquanto o primeiro proferia seu voto. Pouco tempo depois, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo, que se espalhou pelas redes sociais, em que acusava Wyllys de ter premeditado a ação.

O processo foi instaurado no Conselho de Ética a pedido da Mesa Diretora diante de recomendação do corregedor-geral da Câmara, após ter recebido diversas solicitações de abertura de processo contra Wyllys, chegando a defender uma pena de suspensão de mandato.

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Entre as representações contra o deputado estão duas protocoladas pelo ator Alexandre Frota.

Em novembro, o Conselho retomou a análise do caso, ouvindo testemunhas que estiveram presente durante a votação do impeachment e relataram o que observaram. O depoimento de Jean Wyllys foi prestado no dia 6 de dezembro e o deputado manteve sua versão de que teria cuspido em Bolsonaro como reação a ofensas.

Segundo Wyllys, Jair Bolsonaro o tem provocado repetidamente, desde o início de seu primeiro mandato na Câmara, tendo-o chamado de "queima rosca", "viado" e até mesmo de "c* ambulante" em plena reunião parlamentar. No dia da votação, quando se dirigiu ao microfone para proferir seu discurso e votar, Wyllys ouviu vaias e alguém dizer "viado" e "sai daí, viado". Após seu voto, Wyllys disse ter ouvido ainda, por parte de Bolsonaro, "queima rosca" e "tchau, querida" em tom irônico - de fato, esta última manifestação pode ser claramente vista em vídeo, enquanto Bolsonaro acena em direção a Wyllys.

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A respeito do vídeo divulgado por Eduardo Bolsonaro, Wyllys esclarece que, após cuspir, disse ao deputado e colega Chico Alencar o que havia feito. O vídeo troca a ordem dos acontecimentos para indicar que o ato foi premeditado e, de acordo com a perícia, a fala de Wyllys não foi de premeditação; o perito confirmou que o deputado disse: "Eu cuspi na cara do Bolsonaro, Chico".

Trata-se, então, de uma mentira proferida por Jair Bolsonaro ao Conselho de Ética, que apresentou o vídeo como prova de uma suposta premeditação do ato e, ademais, afirmou que se tratava de material autêntico. Certamente, o deputado não contava com a perícia realizada pela Polícia Civil.

Ironicamente, em reunião sobre o caso no mês de novembro, o próprio Bolsonaro discursou sobre como "faltar com a verdade" é a falha disciplinar mais grave da qual pode ser acusado um militar no exército, afirmando ainda que, se comprovado que, em algum momento, agrediu a Wyllys verbalmente, ele mesmo renunciaria de seu mandato.

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No passado, em entrevista coletiva à imprensa, Jair Bolsonaro disse que o PSOL faz "coisa de viado", além de tentar ofender o partido com palavreado chulo, algo que faz com relativa frequência com o objetivo de provocar polêmicas e aparecer nos holofotes.

As atitudes de Bolsonaro e seu discurso são muito semelhantes às daqueles "valentões" que todas as pessoas consideradas "diferentes" têm de enfrentar durante a infância. Em vez de praticar o bullying na escola, ele o faz em plena Câmara, o que nos diz muito sobre sua (falta de) maturidade como representante político - e, em consonância, sobre o tipo de eleitores que representa. #Conselho de ética