O discurso de posse de Donald Trump causou arrepios por todo o mundo. No entanto, de acordo com Sérgio Amaral, o embaixador do Brasil em Washington, o país não deve temer a presidência #Trump . Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , ele ressaltou que o Brasil não representa um problema para a administração republicana.

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China. Quando Trump diz que vai cortar o déficit comercial dos EUA, isso não diz respeito ao Brasil. Os EUA têm um superávit comercial de US$ 646 milhões com o Brasil. Além disso, "o Brasil não atrai o tipo de investimento que resulta em perda de empregos dos americanos", disse Amaral.

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Conforme o embaixador, as visões protecionistas de Trump poderiam beneficiar o Brasil. Se o presidente dos EUA decidir retirar-se da Parceria Trans-Pacífico, o Brasil poderia se tornar um mercado mais atraente. Países como o Peru e a Colômbia podem buscar uma convergência sul-americana que o Brasil sempre quis. "O Brasil não é um país que sofre as conseqüências de 'muita globalização'".

Está mais difícil para os brasileiros obter um visto para os EUA . Em 2014, apenas 3,2% dos candidatos foram negados. No ano passado, 5,36%. Mas, em 2016, o número subiu para 15%. Mas enquanto o número de imigrantes ilegais do Brasil aumentou em 142%, em 2016, ainda é semelhante ao de países como México, Guatemala e Honduras. Segundo o embaixador, apenas 10% dos 1,5 milhão de imigrantes são ilegais. "Os brasileiros não são uma preocupação para as autoridades americanas", diz Amaral.

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De acordo com especialistas do Foreign Affairs, o ritmo das relações entre o Brasil e os Estados Unidos dependerá mais das relações de seus presidentes do que do ponto de vista político. Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush não compartilhavam as mesmas visões políticas, mas gozavam de relações amistosas, semelhantes às de Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso, que estavam quase na mesma página. Dilma Rousseff e Barack Obama, por outro lado, não se depararam com muitas questões - e o fato de que o governo americano espionou Dilma Rousseff não ajudou a aliviar as tensões.

O presidente Michel Temer já anunciou sua intenção de aumentar os laços com o poder norte-americano. Em entrevista à BBC em julho, o embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Amaral, disse que o Brasil priorizará temas sobre os quais ambos os países compartilham valores semelhantes: direitos humanos e meio ambiente. #Casos de polícia