A eleição para presidente da Câmara dos Deputados pode gerar o primeiro abalo político entre a base aliada de #Michel Temer e o Planalto. O Centrão, composto por 12 partidos - PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL - e principal fiel da balança no impeachment da presidente Dilma, articula e almeja a presidência da Câmara desde a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Por outro lado, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Casa e apoiador de Temer em todas as pautas que o peemedebista quis implementar na Câmara, busca uma brecha e quer tentar a reeleição.

Para entender o problema que Michel Temer pode estar prestes a enfrentar, é importante entender inicialmente a situação de Rodrigo Maia.

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O atual presidente entrou com um "mandato tampão" quando Eduardo Cunha foi afastado do cargo de chefe da Câmara dos Deputados. O argumento de opositores a Maia é que um presidência não pode tentar a reeleição em uma mesma legislatura, segundo o regimento. Ou seja, a legislatura atual vai de 1º de janeiro de 2015 até 31 de dezembro de 2018. O mandato de presidente dura dois anos, então, em uma mesma legislatura, teriam que ser dois presidente diferentes.

Rodrigo Maia argumenta que seu mandato era "tampão", não tendo sido eleito para um mandato de dois anos oficialmente. O atual presidente já estuda formas jurídicas para tentar oficializar sua candidatura. Maia quer contar também com o apoio do Planalto e do #PMDB a sua candidatura.

Já o Centrão, bloco que compõe mais ou menos 200 deputados, já articula ocupar a presidência desde a saída de Eduardo Cunha.

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Quando da eleição do mandato tampão, vencida por Rodrigo Maia, o nome mais forte do Centrão era do deputado Rogério Rosso (PSD), que chegou ao segundo turno contra o deputado do DEM, mas foi derrotado por 285 contra 170. Agora, na eleição do dia 2 de fevereiro, dois candidatos já apresentaram pré-candidatura: Rogério Rosso novamente e Jovair Arantes (PTB) - o deputado foi o relator do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados.

Pela oposição, o PDT anunciou que irá lançar o deputado André Figueiredo (CE), que é ex-ministro de Dilma.

Medo no Planalto

O receito do Governo Federal quanto o que pode acontecer com sua base aliada na Câmara é clara, por isso mesmo, André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara, tenta afastar ao máximo Temer da disputa.

“O presidente Michel Temer já deixou muito claro, de forma enfática, que o processo de eleição na Câmara não terá nenhum tipo de interferência do Palácio do Planalto. Muito pelo contrário, o presidente vai se manter isento”, afirmou.

Uma primeira amostra do que pode esperar Temer foi dada no começo de dezembro, quando o peemedebista resolveu indicar o deputado do PSDB Antonio Imbassahy, líder dos tucanos na Câmara, para o cargo de ministro da Secretaria de Governo.

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A "revolta" por parte do Centrão foi tanta que Temer voltou atrás. Segundo Rogério Rosso, se essa indicação de Temer sinalizasse um apoio a Maia na disputa na Câmara, a base poderia se "deteriorar". #Dentro da política