Ivana Bentes, ex-secretária do Ministério da Cultura no governo Dilma Rousseff, tem causado polêmica ao comparar, em declaração, as rebeliões em presídios de Manaus e Roraima ao holocausto e as prisões à campos de concentração. Além de ter ocupado o cargo governamental, Ivana é também ensaísta, professora, curadora e pesquisadora acadêmica, envolvida com comunicação e cultura e envolve-se com projetos conhecidos, tais como o Mídia Ninja e Fora de Eixo. Foi justamente no Mídia Ninja, onde Ivana é colunista, que publicou o polêmico ponto de vista em 11 de janeiro.

"A massa de corpos em pedaços, as cabeças degoladas, os corações arrancados, as mãos e pernas decepadas produzem uma imagem informe e anônima, mas extremamente eficaz de desumanização radical dos usuários do sistema penitenciário brasileiro, só comparáveis, na sua abjeção e monstruosidade, às imagens dos campos de extermínio", declarou a ex-secretária.

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Ela se refere às imagens que foram a público pouco após o primeiro massacre, em Manaus. As imagens mostravam explicitamente corpos atirados ao chão do presídio, empilhados em carrinhos que deveriam ser utilizados para roupas sujas e atos de violência, como também um vídeo onde um homem decapitava um cadáver com um serrote. As imagens chocantes são comparadas às já muito conhecidas fotos dos campos de concentração durante a #Segunda Guerra Mundial, onde vemos até hoje com pesar as pilhas de corpos magros e desnudos de judeus mortos em câmaras de gás.

Críticos impressionaram-se com a comparação, alegando que os retidos em presídios brasileiros e em campos de concentração são de perfis completamente diferentes - em um, criminosos e, em outro, inocentes e que, portanto, a comparação é "um show de horrores" - como declarado pelo site Ceticismo Político.

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" Aqui, as prisões se assemelham a campos de concentração para miseráveis e pobres, onde se faz a gestão do “excedente”, dos que se tornaram inassimiláveis pelo mercado, como descreve Zygmunt Bauman no seu livro Globalização: as consequências humanas. A prisão vista como uma alternativa aos que foram “inabilitados” para o emprego. O exército de reserva de um necrocapitalismo global", diz ainda Ivana. O termo "necrocapitalismo" refere-se, aqui a "um conjunto de atores que se interlaçam para criar um processo de produção da morte", por definição.

Ivana diz também que os presidiários, enquanto deveriam ser "corrigidos" a fim de ressocialização, são "selecionados" e deixados para morrer entre as grades. #Campo de Concentração #Dilma Rousseff