O Partido dos Trabalhadores perdeu muito espaço na política nacional após o impeachment da presidente Dilma. Isso é um fato. Mas, apesar dessa aparente fragilidade, o partido segue tendo muita força dentro do parlamento brasileiro e é figura central da eleição na Câmara dos Deputados, mesmo sem lançar candidato próprio. A votação para eleger o novo presidente da Casa Legislativa vai ocorrer no dia 2 de fevereiro e já conta com quatro candidatos: Rodrigo Maia (DEM-RJ), Rogério Rosso (PSD-DF), Jovair Arantes (PTB-GO) e André Figueiredo (PDT-CE).

O PT ainda não anunciou apoio para nenhum candidato, mas já foi procurado por Maia e Arantes.

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Rosso está com uma estratégia diferente dos seus principais candidatos, ele prefere uma aproximação particular, de deputado em deputado, não com os líderes de bancada para que eles fechem questão. Já com relação a Figueiredo, se houvesse lógica na política brasileira, os votos do PT seriam para ele. O candidato do PDT forma o bloco de oposição a Temer junto com o próprio PT, PC do B e PSOL. Mas, como sabemos, bom senso não é o forte dos nossos políticos.

Na última terça-feira (10), Carlos Zarattini (PT-SP), líder da bancada do partido na Câmara dos Deputados, informou que irá anunciar o apoio da sigla apenas no dia 17 de janeiro, próxima terça-feira. O curioso é onde e quando essa informação foi passada por Zarattini. Ele estava no lançamento da candidatura do deputado Jovair Arantes à presidência da Câmara.

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"O PT vai estar sempre aberto a discutir", disse o líder petista.

Se apenas a lógica indicando que o candidato mais próximo aos ideais do PT é André Figueiredo já não bastasse para que o partido apoiasse sua candidatura, dois fatos intrigantes podem ser levantados sobre uma possível aproximação da bancada do Partido dos Trabalhadores com Jovair Arantes. O deputado do PTB era um dos principais aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante o mandato de presidente da Câmara do peemedebista. Além disso, e o mais impressionante, foi Jovair Arantes o relator do processo de impeachment da ex-presidente Dilma na Câmara. O deputado, em seu parecer, sugeriu que a petista sofresse o impeachment e perdesse o cargo para o qual foi eleita.

Manobra conhecida

Essa aproximação com o Centrão pode se dar por uma razão simples e que o PT já conhece bem: Rodrigo Maia está ameaçando montar um "blocão" de partidos e deixar o PT de fora da montagem da Mesa Diretora que irá gerir os trabalhos da Casa pelos próximos dois anos.

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Com a segunda maior bancada da Câmara, com 57 deputados, atrás apenas do PMDB, com 64 parlamentares, o PT reivindica para si a o cargo de primeiro-secretario da Câmara. Esse é o segundo mais importante da Mesa Diretora, tirando o presidente, obviamente. O cargo mais importante é o de primeiro vice-presidente, que ficará com o PMDB.

O líder do PT na Câmara afirmou que não está fazendo nenhuma reivindicação, que apenas o partido tem direito a essa vaga. E completou: "Quem nos deu a segunda maior bancada foi o povo. Esses partidos têm que entender isso."

As regras internas da Câmara preveem que a Mesa Diretora seja composta pela proporcionalidade das bancadas, porém, Rodrigo Maia articula com o PR a primeira-secretaria na busca do apoio do partido. Já Jovair Arantes afirmou no lançamento de sua campanha que irá respeitar a ordem de proporcionalidade na ocupação dos cargos. #Dentro da política