Após o #massacre no Amazonas que deixou pelo menos 56 prisioneiros mortos no primeiro dia do ano, o presidente do Brasil, Michel Temer, reuniu-se com vários membros do gabinete na última quinta-feira (5), para falar sobre o sistema de segurança do país. De acordo com autoridades federais, o governo do estado do Amazonas sabia dos planos de fuga em massa, dias antes do massacre.

"O que pode ser dito é que uma série de erros ocorridos. Não tenho dúvidas de que houve um fracasso daqueles que cuidam da penitenciária. Porque de outra forma, armamentos pesados, bebidas alcoólicas e telefones celulares não teriam entrado no complexo", concluiu o funcionário federal.

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Além das mortes, 184 presos de duas instalações escaparam. Na noite da última quarta-feira (4), a informação era de que apenas 63 foram recapturados. O motim está sendo atribuído a uma disputa entre duas facções rivais para ter o comando do tráfico de drogas na região.

Os funcionários do estado anunciaram que identificaram oito líderes do motim e estavam solicitando assistência para transferir os presos para penitenciárias federais fora do estado.

No início da reunião do gabinete na manhã da última quinta-feira (5), o presidente Temer falou sobre o massacre. "Quero primeiro e mais uma vez expressar minha solidariedade com as famílias que tiveram seus prisioneiros vitimados naquele terrível incidente ocorrido na prisão de Manaus", disse Temer.

Durante os últimos dias, Temer foi amplamente criticado por não ter divulgado uma declaração sobre o incidente.

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Na quarta-feira, a ONG dos Direitos Humanos, disse que o país precisava "tomar o controle de seu sistema prisional de gangues e garantir a segurança de todos os detidos".

"Nas últimas décadas, as autoridades brasileiras têm abdicado cada vez mais de sua responsabilidade de manter a ordem e segurança nas prisões. Esse fracasso viola os direitos dos prisioneiros e é uma bênção para as gangues, que usam as prisões como campo de recrutamento", disse a diretora da ONG dos Direitos Humanos no Brasil, Maria Laura Canineu.

A Anistia Internacional também emitiu uma declaração pedindo uma investigação imediata sobre o massacre e criticando as condições de superlotação da prisão. De acordo com dados da Administração do Departamento Penitenciário do Amazonas, o Complexo de Compaj tem a capacidade para abrigar 454 presos, mas no domingo estava segurando aproximadamente 1.200 detentos.

"A superlotação e as condições precárias do Complexo Anísio Jobim, bem como o sistema prisional no estado do Amazonas como um todo, já haviam sido denunciados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Mas as autoridades não adotaram as medidas necessárias e a situação só se deteriorou", disse a entidade na declaração. #Política #Michel Temer