Dentre as tantas dúvidas que o atual presidente Michel #Temer teve antes de fazer a montagem do governo, o nome de Eliseu Padilha sempre foi uma das únicas certezas. A relação de parceria e cumplicidade entre os dois tradicionais quadros do PMDB é tão grande que o sucessor de Dilma Rousseff não teve dúvidas ao nomeá-lo como ministro-chefe da Casa Civil – um dos postos de maior importância dentro do primeiro escalão governamental.

Presente em todos os principais momentos do governo Temer até agora, sobretudo no anúncio das reformas, Padilha pediu, nesta sexta-feira, um afastamento provisório do Palácio do Planalto por motivos de saúde.

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Ele estará em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, nos próximos dias, onde dará entrada no Hospital Moinhos de Vento para fazer uma cirurgia na próstata. A licença médica ocorre desde segunda-feira, quando o ministro já estava hospitalizado em Brasília.

Em contato com a coluna da jornalista Carolina Bahia, do jornal gaúcho Zero Hora, Padilha garantiu que voltará normalmente ao governo na terça-feira, dia 6 de março, isto é, duas semanas depois dos festejos de carnaval. O anúncio ao afastamento provisório por motivos de saúde levantou hipóteses de uma saída em definitiva, o que foi prontamente descartado.

Afastamento médico em meio à polêmica

Ocorre que o afastamento do titular da Casa Civil se dá justamente em um momento delicado do governo Temer – tendo o próprio Padilha no centro de um caso polêmico.

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Em depoimento ao Ministério Público Federal, José Yunes, amigo de Michel Temer e ex-assessor especial da Presidência da República, afirmou que em 2014 recebeu um envelope solicitado pelo ministro.

O envelope teria sido entregue por Lúcio Funaro, doleiro com ligações ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, hoje preso em decorrência das investigações da Operação Lava Jato. Em depoimento recente aos investigadores, Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Internacionais da empreiteira Odebrecht, garantiu que o escritório de advocacia de Yunes foi utilizado para o repasse de dinheiro ao PMDB por meio de Eliseu Padilha, que buscava recursos para a campanha de 2014.

Ainda de acordo com Melo Filho, ficou acertado em uma reunião no Palácio do Jaburu, no primeiro semestre de 2014, que R$ 4 milhões seriam destinados ao partido através de Eliseu Padilha. Após a delação do ex-diretor, Yunes não resistiu e acabou pedindo desligamento do seu cargo no governo. Em entrevista recente à Globo News, o advogado admitiu o recebimento do envelope, mas não imaginou que nele houvesse dinheiro.

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Entre a atual oposição do governo Temer já há um consenso de que Eliseu Padilha deve pedir demissão. Ele integra o chamado “núcleo duro” da gestão e está envolvido em todas as grandes decisões tomadas no Palácio do Planalto. Padilha tem 71 anos e é tido como um dos principais conselheiros de Michel Temer.

Sobre a cirurgia, a informação é de que Padilha apenas aguarda a vinda de um médico de sua confiança do exterior para proceder com os trâmites burocráticos da operação. Amigos acreditam que a operação já possa ocorrer na próxima segunda-feira. Depois, uns dias de repouso e, até uma eventual segunda ordem, retorno ao trabalho no governo no dia 6 de março.