O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), falou em depoimento ao juiz Sérgio Moro como réu de uma ação penal no âmbito da Operação Lava Jato nesta terça-feira (7) pela primeira vez em Curitiba. O que pode ser tirado de principal do primeiro encontro entre Cunha e Moro é a contradição das informações entre o ex-deputado e Michel Temer, a notícia por parte do peemedebista que ele tem um aneurisma e o pedido feito para ser solto e poder tratar do problema de saúde.

O depoimento do peemedebista durou cerca de 3h e foi motivado pela acusação dele ter recebido cerca de R$ 5 milhões em contas na Suíça como pagamento de propina pela compra do campo de exploração de petróleo pela Petrobras em Benin, na África.

Publicidade
Publicidade

Cunha desmente Temer

O principal momento da fala de Eduardo Cunha nas quase 3h de depoimento foi quando o ex-deputado contradiz a negativa de Michel Temer, que nega ter participado de uma reunião para debater as indicações do PMDB na diretoria da Petrobras.

Michel Temer prestou depoimento à Polícia Federal por escrito e afirmou que não houve nenhuma reunião entre ele, Henrique Alves, Fernando Diniz [morto em 2009] e Walfrido Mares Guia para discutir esse tema. Ao ser questionado por Moro, Eduardo Cunha afirmou que a resposta de Temer está "equivocada".

O ex-presidente da Câmara ainda citou nominalmente quem estaria na reunião. Segundo ele, o motivo do encontro era para debater o desconforto do partido com as indicações feitas pelo PT de Graça Foster para a diretoria de gás e José Eduardo Dutra para presidente da BR Distribuidora.

Publicidade

A reunião confirmada por Cunha teria acontecido em 2007, em meio a votação da CPMF, durante o governo Lula. O peemedebista afirmou que a bancada do seu partido estava desconfortável com as indicações, mas, depois do encontro com Temer, as coisas se acalmaram e resolveram votar a favor do governo no caso da CPMF.

"Mas a resposta do presidente Michel Temer nas perguntas está equivocada, ele participou sim dessa reunião e foi ele quem comunicou a todos nós o que tinha acontecido na reunião", afirmou.

Cunha presta solidariedade a Lula

Eduardo Cunha aproveitou o momento diante de Moro para informar que sofre com um aneurisma cerebral, mesmo problema que culminou com a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, e criticou as condições do presídio em que está sendo mantido.

São várias as noites em que presos gritam sem sucesso por atendimento médico e não são ouvidos pelos poucos agentes que lá ficam à noite", relatou.

Durante o tema, o peemedebista ainda aproveitou para prestar sua "solidariedade à família" da ex-primeira dama.

Publicidade

Apelo

Após falar sobre seu aneurisma e o risco clínico que corre no presídio, Eduardo Cunha ainda apelou ao juiz pedindo sua soltura. Segundo ele, no presídio onde se encontra, estão "misturados a presos condenados por violências inimputáveis". Moro declarou que irá analisar a solicitação feita pelo ex-deputado, porém, no momento, irá manter a decisão do ministro do STF, Teori Zavascki, que negou o pedido de liberdade de Cunha.

Assista ao depoimento completo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

#Dentro da política