O delegado da Polícia Federal, Márcio Adriano Anselmo, diz estar estranhando a postura de parlamentares em relação ao sigilo das delações premiadas de executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht. Anselmo foi o delegado que participou da prisão de Marcelo Odebrecht, chegando até a mansão do empresário e avisando sobre o pedido de prisão.

Professor da Academia de Polícia da PF e especialista em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, Anselmo diz que é curioso o fato de políticos estarem preocupados e pedindo o fim do sigilo das delações. O investigador disse que para proteger as operações, é necessário o sigilo até que os fatos sejam bem investigados.

Publicidade
Publicidade

Anselmo deu um exemplo, ele contou que se por acaso um delator falar de algumas contas no exterior, o outro envolvido pode sumir com a prova do #Crime. Ele também usou o exemplo de um sequestro, caso o delator aponte o cativeiro, simplesmente podem sumir com a prova.

O delegado afirma que as delações premiadas não são "capítulos de novelas" e que devem ser levadas a sério. Ele contou que em alguns casos o sigilo pode até ser dispensado, mas vazamentos podem colaborar para que a operação não seja eficaz. "Me parece bem curioso. Até um tempo atrás alguns legisladores defendiam mais rigor no sigilo, agora o contrário!"

Fim do sigilo

Parlamentares de partidos como o PMDB e PSDB estão tentando marcar uma reunião como o novo relator dos processos da #Lava Jato no STF, Edson Fachin, sugerindo o fim do sigilo das delações.

Publicidade

Segundo o líder do PMDB, Romero Jucá, avaliaram que dessa forma, a opinião pública não faria uma espécie de "linchamento" com os políticos e que ele não iriam receber "um tiro por dia". Romero diz que os fatos devem ser "quebrados" e que nada de se "esconder" nas investigações.

Renan Calheiros (PMDB-AL) também se manifestou sobre o fim do sigilo, ele avalia que as pessoas não devem ser "manipuladas" com as investigações. Renan está sendo investigado em oito inquéritos da operação Lava Jato, comandada pelo juiz federal Sérgio Moro. #Corrupção