Após dois dias de intensas mudanças no Legislativo brasileiro, com eleição para novo presidente e composição da Mesa Diretora tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, chegou a hora de traçar o cenário para o futuro. Com a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Câmara e Eunício Oliveira (PMDB-CE) no Senado, Michel Temer conseguiu fazer barba, cabelo e bigode no Congresso Nacional. Apesar dessa vitória, nem tudo são flores para o peemedebista.

A eleição de Rodrigo Maia já no primeiro turno contra um Centrão que tenta ao máximo ganhar espaço sem a tutela de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente da Câmara pode ser um sinal verde para o Planalto que todas - ou ao menos a maioria - das propostas reformistas do Governo devem passar sem muitos problemas pela casa.

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Inclusive, em sua fala após ser confirmada a vitória, Maia usou o termo "Câmara reformista" para falar do seu futuro mandato.

O problema para Michel Temer pode aparecer se os cerca de 12 partidos e 200 deputados que compõem o Centrão se sentirem desprestigiados perante o Executivo, vide terem sido preteridos por Rodrigo Maia. Dessa forma, o peemedebista poderia perder algo que foi muito forte durante os primeiros meses de seu governo: a fidelidade da base aliada. Esse foi um dos principais problemas da ex-presidente Dilma Rousseff.

Um alento para Temer quanto ao Centrão é que Jovair Arantes (PTB-GO), deputado que supostamente deveria presentar o grupo, teve apenas 105 votos, cerca da metade do que representa o Centrão. O questionamento que fica é o seguinte: será que sem a figura de Eduardo Cunha, que centralizava os poderes do bloco, o Centrão vai se diluiu? A resposta será dada já nesse semestre.

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Senado

Já no Senado Federal o cenário é muito mais tranquilo. Por muito pouco Eunício Oliveira não conseguiu costurar um acordo e ser candidato único na disputa. Nos 45 do segundo tempo, ele teve como concorrente um senador novato, José Medeiros (PSD-MT), que conseguiu roubar apenas 10 votos, dos 81 senadores.

Para se ter uma ideia, apesar de não formalmente anunciar apoio a Eunício Oliveira, até o PT conseguiu um lugar na Mesa Diretora em meio ao acordão no Senado. O mesmo não aconteceu na Câmara, apesar do Partido dos Trabalhadores ter a segunda maior bancada da Casa.

A "paz" deve reinar no Senado para o Governo Temer em um cenário sem delações ou prisões. Porém, com a política atual e a Lava Jato com um novo relator, que deve querer mostrar serviço, um fato novo sempre pode ocorrer. Por exemplo, o novo presidente do Senado já foi citado por três delatores e é identificado como "Índio" na planilha de propina da Odebrecht.

Como vice-presidente do Senado o PSDB conseguiu emplacar Cássio Cunha Lima - o mesmo que já foi condenado e perdeu os diretos políticos.

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Esse é um claro aceno do PMDB a seu principal aliado do governo, mostrando que quer estreitar relações e dar mais espaço aos tucanos. Esse pode ser um outro ensinamento que Temer aprendeu com os erros de Dilma, que escanteava o PMDB do governo - vide a história de "vice-decorativo". #Dentro da política