Em menos de uma semana o governo Michel #Temer promoveu uma grande investida contra a imprensa, censurando alguns dos grandes jornais do país e restringindo a circulação de jornalistas no Palácio do Planalto, algo inédito. O mais recente ato de #Censura foi denunciado pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo (do Rio de Janeiro) nesta segunda-feira, 13. Os veículos de comunicação estão proibidos de falar sobre a extorsão sofrida pela esposa de Michel Temer, Marcela Temer. A primeira-dama teve seu celular hackeado e o hacker - que está preso - ameaçou revelar o conteúdo de seu celular à imprensa. Na ameça que fez à Marcela, o hacker, identificado como Silvonei de Jesus Souza, diz que o conteúdo obtido jogará o nome de Temer "na lama".

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A informação que supostamente prejudicaria o presidente tem relação com uma conversa entre Marcela e o marido, em que eles falam sobre um marqueteiro que trabalhou para o presidente.

Assim que o conteúdo da conversa entre Marcela Temer e o hacker foi revelado, o presidente da República entrou na Justiça para evitar que a população ficasse sabendo da extorsão. Os advogados do Palácio do Planalto solicitaram que a Folha de São Paulo, o maior jornal do País, fosse proibido de falar sobre o assunto, bem como o jornal carioca O Globo. Ambos publicaram matérias sobre a extorsão no final de semana. Estas matérias já não estão mais no ar, mas ainda é possível encontrar as respectivas manchetes pesquisando no Google pela frase "hacker ameaçou jogar nome de Temer na lama com divulgação de áudio".

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O advogado da Presidência da República chegou a pedir à Justiça que os jornais impressos forem retirados das bancas e que os veículos fossem multados em R$ 500 mil por dia, caso a decisão não fosse cumprida. Esta solicitação não foi aceita pela Justiça.

A Folha considerou a decisão da Justiça como "uma tentativa brutal de impedir a liberdade de informação. Isso é censura", denuncia o jornal paulista. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) também se pronunciaram, afirmando que os veículos de comunicação têm o direito constitucional de levar à população informações de interesse público.

Jornalistas não podem mais circular pelo Palácio do Planalto

Na semana passada, antes mesmo das revelações do hacker, Temer já havia tomado uma atitude polêmica contra a imprensa. Os jornalistas, que sempre tiveram acesso ao Palácio do Planalto, onde ficam os gabinetes de Temer e de vários ministros, agora são proibidos de circular pelo local. A restrição ao trabalho da imprensa pegou os jornalistas de surpresa. Nos governos militares e durante a gestão José Sarney, era liberado o trânsito de jornalistas em todos os andares. Nos governos petistas, a imprensa na tinha acesso ao andar da Presidência, mas tinha acesso às portas dos gabinetes dos ministros.