O governo venezuelano cometeu um ato que pode piorar ainda mais sua relação com os países vizinhos e com o Mercosul. Os jornalistas Gilzon Souza e Leandro Stoliar, funcionários da TV Record, viajaram para a #Venezuela para realizar uma reportagem especial sobre a #Odebrecht, mas acabaram sendo capturados pelas forças de inteligência do governo e encontram-se presos.

A denúncia foi feita pela ONG Transparência Venezuela. A TV Record confirmou que os dois profissionais de imprensa foram detidos pelo governo e pediram ajuda do Itamaraty (relações internacionais do governo do Brasil), para conseguir a libertação dos funcionários.

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Também acionaram a Embaixada no Brasil em Caracas, capital venezuelana, para conferir maiores informações sobre o caso.

Em nota, o Itamaraty disse que está em contato com o governo venezuelano, desde o início da tarde desse sábado, 11, na tentativa de conseguir a liberação de Leandro e Souza.

A ONG contou que os dois jornalistas estavam coletando informações sobre uma ponte construída pela Odebrecht, que fica no lago Maracaibo, no estado de Zulia, ao norte do país. Os profissionais eram acompanhados por dois ativistas que mostravam o local e passavam informações importantes que poderiam ser usadas na reportagem. Eles foram abordados por membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, que prendeu os brasileiros e os ativistas.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela soube do ocorrido e lamentou a prisão, exigindo que os mesmos sejam libertos.

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A ONG Transparência Venezuela também repudiou o ato e exigiu que o governo liberte os brasileiros. Nenhuma nota oficial do governo ou da Sebin foi divulgado, até o momento.

Qual a relação da Venezuela com a Odebrecht?

Na semana passada, o Parlamento venezuelano aprovou que a Odebrecht fosse investigada no país. A aprovação gerou um caloroso embate entre governistas e oposição, fato que repercutiu na imprensa escrita e falada.

Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, prometeu concluir as obras iniciadas pela Odebrecht no país. Há menos de um mês, o MP venezuelano solicitou informações sobre as investigações, ao MP do Brasil, além de expedir uma ordem de prisão contra uma pessoa, com nome não divulgado, que estaria ligado ao esquema de corrupção.

Segundo Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, a Venezuela foi o país que mais recebeu propinas, depois do Brasil, com mais de R$98 milhões pagos. Esse é um dos maiores esquemas de corrupção, depois do Petrolão. Com as investigações decorrentes das delações de Marcelo e outros delatores da #Lava Jato, é esperado que diversos políticos venham a ser presos. Os fatos são tão graves que Carmen Lúcia e Rodrigo Janot optaram por manter a investigações em sigilo, devido ao impacto nacional.