O meio político foi surpreendido com o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, #José Serra (PSDB), na tarde desta quarta-feira (22). O tucano disse, em carta entregue um dia antes ao presidente #Michel Temer (PMDB), que enfrenta problemas de saúde, podendo comprometer o ritmo de suas viagens internacionais que são obrigações de um chanceler.

No final do ano passado, José Serra foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou por uma cirurgia na coluna. Na ocasião, foi diagnosticado um quadro de compressão da raiz nervosa e problemas de estabilidade nas vértebras. Segundo alguns amigos próximos, o ministro se queixava com frequência de dores na coluna.

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Ainda, na carta que foi entregue ao presidente Michel Temer, Serra afirmou que precisará de quatro meses para se recuperar, segundo prescrição médica.

O chanceler diz na carta de demissão que a decisão é contra sua vontade. “Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que não são do conhecimento de vossa excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler”, diz ele no começo da carta. Em outro trecho Serra afirma que foi motivo de orgulho integrar a equipe de Temer, mas que de volta ao congresso, honrará seu mandato de senador trabalhando em parceria com a presidência na aprovação de projetos importantes visando sempre a recuperação da economia.

José Serra viveu quase 15 anos exilado

José Serra construiu uma carreira expressiva na #Política, mas foi uma das vítimas do golpe militar.

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Ele foi um dos fundadores do movimento “Ação Popular” e presidiu nos anos 60 a União Nacional dos Estudantes (UNE), mas teve que deixar o país em 1964 por ser um dos perseguidos pelo regime. O tucano era um dos militantes da esquerda política brasileira e, por isso, teve que viver 14 anos no exílio, o que fez com que ele se radicasse no Chile, onde conheceu sua esposa Mônica Serra. Foi lá que nasceram seus dois filhos.

Quando aconteceu o golpe militar no Chile, em 1973, Serra foi com a família para os Estados Unidos, onde estudou na Universidade de Cornell. 14 anos depois, ele voltou para o Brasil e em 1983 foi nomeado secretário de Planejamento de São Paulo pelo então governador Franco Montoro. Em 1988 conseguiu ser eleito deputado federal para a Assembleia Constituinte, sendo reeleito em 1990 como o deputado federal mais votado do país.

José Serra foi um dos fundadores do PSDB, partido pelo qual foi eleito senador em 1994, mas não assumiu a vaga porque foi nomeado ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão no governo de Fernando Henrique Cardoso.

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Mais tarde FHC nomeou Serra para a pasta da Saúde, onde conseguiu realizar um trabalho marcante.

Em 2004, após três tentativas, Serra foi eleito prefeito de São Paulo, mas dois anos depois renunciou ao cargo para concorrer ao governo do Estado, sendo eleito já no primeiro turno. Em 2010, também renunciou ao cargo de governador para disputar a segunda eleição como candidato a presidente da República, mas foi derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno. Na primeira tentativa, em 2002, ele perdeu no segundo turno para Luíz Inácio Lula da Silva. Em 2012, voltou a disputar a prefeitura de São Paulo, mas perdeu para Fernando Haddad, no segundo turno. Em 2014, foi eleito senador, derrotando o petista Eduardo Suplicy.