Nesta segunda-feira (13), o presidente Michel Temer fez um pronunciamento no qual afirmou que afastará do cargo todos os ministros que forem denunciados na Operação #Lava Jato. É necessário enfatizar porém, que o presidente deixou clara a sua posição, ao explicar que uma citação não será suficiente para o afastamento: "Se houver denúncia, o que significa um conjunto de provas que possam conduzir ao seu acolhimento, o ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente". Temer também afirmou que o afastamento definitivo só ocorrerá no caso do denunciado vir a se tornar réu.

Temer nega "blindagem"

"Faço questão de enfatizar em letras maiúsculas: não há nenhuma tentativa de blindagem", foi outra frase de efeito do discurso, obviamente a propósito do caso de Moreira Franco, cuja indicação gerou desconfiança por parte da população brasileira e sua nomeação para a Secretaria-Geral da Presidência foi considerada mera tentativa de lhe conceder o foro privilegiado.

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#Moreira Franco foi afastado do cargo por decisão da Justiça de primeiro grau, mas a enxurrada de liminares não foi bem sucedida, tendo sido todas derrubadas por tribunais de instâncias superiores.

Nesta segunda-feira o caso deve ser definido pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

Quem já foi citado

Na mesma delação, do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Mello Filho, além de Moreira Franco, o próprio presidente Temer foi acusado de participar de reunião para acerto de repasses de dinheiro para campanhas eleitorais. Ainda neste mesmo depoimento, aparecem o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia.

Mas não apenas a situação de Moreira Franco motivou o pronunciamento de 8 minutos deste começo de semana. A indicação de Alexandre de Moraes para o STF também gerou a desconfiança de que há uma determinação em interferir nas investigações da Lava Jato.

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Ironicamente, caso ocupe a vaga deixada por Teori Zavascki, Moraes será o revisor dos processos da Operação no plenário da Corte. Para deixar o imbróglio ainda mais suspeito, quem está sendo cotado para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, que é responsável por sabatinar Alexandre de Moraes no Senado, é ninguém menos do que Edison Lobão (PMDB-MA), igualmente investigado na Lava Jato.

#Michel Temer disse que o governo jamais poderá interferir em uma matéria que é de responsabilidade de outros órgãos. Mas, segundo um dito popular, não basta ser honesto, é preciso parecer honesto.