Dois pesos e duas medidas, diz o ditado. Na quinta-feira (2), Wellington Moreira Franco, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos, foi promovido ao cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência, adquirindo, com isto, o tão almejado #foro privilegiado.

Agora pode?

Não seria exagero comparar a situação de Moreira Franco com a do ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva que, em 17 de março de 2016, chegou a ser nomeado ministro da Casa Civil, no então governo de Dilma Rousseff. A especulação à época, ficava por conta das denúncias contra Lula na Operação #Lava Jato.

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Logo após ter sido empossado, uma liminar expedida pelo juiz federal Catta Preta Neto suspendeu a decisão governamental.

Desta vez, o caso é o mesmo. Citado dezenas de vezes nas delações premiadas de executivos da Odebrecht, na mesma Lava Jato, o novo ministro só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Moreira Franco é acusado de receber propinas nas concessões de aeroportos.

Chamadas de "delações do fim do mundo", pelo conteúdo devastador no meio político, o que virá a seguir deve atingir grandes nomes de quase todos os partidos. Com a nomeação de Moreira Franco, o governo deixa claro que tratará de proteger seus "escudeiros".

Codinome "Angorá"

Homologadas pela presidente da Corte Cármen Lúcia, as 77 delações mais famosas do momento são agora oficiais. E parece que ninguém está a salvo.

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Embora sob sigilo, já se sabe que em apenas um dos depoimentos, de Cláudio Mello Filho, que era vice-presidente da Odebrecht, Michel Temer foi citado 43 vezes e Moreira Franco 34. Segundo o delator, na lista que registrava os pagamentos de propina, o agora ministro recebeu o apelido de "Angorá".

Contra a posse de Moreira Franco

Como já era esperado até mesmo pelo governo, o PSOL divulgou na sexta-feira (3) que entrará na Justiça contra a posse. Antecipando-se, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entrou com uma ação popular na Justiça, pedindo a anulação da nomeação de Moreira, na qual alega se tratar de um artifício com a finalidade única de conceder o foro privilegiado.

Demonstrando indignação, a procuradora da República Monique Cheker postou em sua rede social: "somos uma Republiqueta".

Temer se defende

Diante das críticas, tanto pela criação de um novo ministério, quanto pelo titular escolhido, o presidente #Michel Temer declarou ser "apenas uma formalização", uma vez que Moreira Franco já atuava como ministro de fato.

Além deste, Temer nomeou outros dois ministros: Antonio Imbassahy, para a Secretaria de Governo, e Luislinda Valois, para os Direitos Humanos. Tais fatos conduzem à dúvida: será que também estes precisam de proteção?