Michel Temer e companheiros do alto escalão do governo constantemente são citados em delações divulgadas pela Lava Jato. Alguns dos principais nomes do governo já chegaram até a ser denunciados, outros são réus em diversos processos. Na última semana, por exemplo, três peemedebista de alto renome foram denunciados como uma "quadrilha" por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot: José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. Esse último, inclusive, é o braço direito de Temer na interlocução com o Congresso Federal.

Para tentar se proteger, e a seus aliados, Michel Temer vem tomando diversas medidas nos últimos meses.

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Segundo o colunista do G1, Gerson Camarotti, o Planalto identificou que a imagem de Temer estava arranhada após algumas medidas que era vistas como uma tentativa de brecar a Lava Jato. Como resposta, foi anunciado na última segunda-feira (13) que ministros que virarem réus na Lava Jato serão demitidos.

Veja algumas medidas que já foram tomadas e outras que ainda devem ser decididas por Temer que podem soar como tentativa de se proteger.

Nomeação no STF

Uma fatalidade acabou dando poderes a Temer que ele não imaginava. Com a morte trágica do ministro Teori Zavascki, caiu no colo do peemedebista a possibilidade de indicar um novo ministro ao Supremo Tribunal Federal. A escolha de Temer pelo político e ex-filiado ao PSDB (pediu desfiliação após a indicação), Alexandre de Moraes, causo certo constrangimento.

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O cenário ficou mais trágico ainda após uma "sabatina improvisada" entre os senadores e o aliado de Temer no barco do senador Wilder Moraes (PP-GO). A "reunião" serviu para preparar Moraes para a sabatina que será feita oficialmente pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Por falar em CCJ, Temer passou por novo constrangimento com a indicação do PMDB do nome de Edison Lobão ao cargo de presidente da CCJ, órgão do Senado que irá sabatinar Moraes. O constrangimento é causado pelo falo de Lobão ser investigado em dois inquéritos pela Lava Jato.

Moreira Franco

Ao assumir o cargo que era da presidente Dilma Rousseff, Michel Temer afirmou que pretendia cortar ministérios como forma de diminuir os gastos. Porém, quando o calo de um dos principais aliados apertou, Temer não teve problema de transformar a Secretaria que Moreira Franco ocupava na Secretaria-Geral da Presidência, lhe dando status de ministério. Com isso, Moreira Franco, citado 34 vezes em apenas uma delação da Odebrecht, ganharia foro privilegiado.

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Essa nomeação sinalizou que Temer tentava proteger um de seus principais aliados e conselheiro. O cenário foi comparado a indicação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil de Dilma. A nomeação de Moreira foi contestada na Justiça e impugnada até o momento.

Novo ministro da Justiça

O nome que irá substituir Alexandre de Moraes no Ministério da Justiça, caso o indicado ao STF passe pela sabatina do Senado, pode mexer com a Lava Jato. Apesar da Lava Jato não estar necessariamente vinculada ao Ministério da Justiça, é o ministro que nomeia, por exemplo, o diretor-geral da PF, órgão responsável pela Operação.

Nome forte para assumir à Justiça, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira é amigo pessoal de Temer e já chamou a Lava Jato de inquisição e é contra as delações premiadas. #Dentro da política