Thainara Faria, vereadora do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que não irá ler nenhum trecho da #Bíblia, como determina o Regimento Interno da Câmara Municipal de Araraquara, São Paulo. De acordo com a vereadora, a leitura da Bíblia é um erro, pois está se colocando interesses particulares e pessoais de #Religião dentro da #Política. Thainara declarou que é católica praticante, mas que respeita todas as outras religiões. "Se ao invés do vereador chegar aqui e ler a bíblia, ele se encarnar num caboclo, o que acontecerá?", questionou a vereadora.

A leitura de trechos da Bíblia faz parte do Regimento da Casa e é feito pelos parlamentares, em todas as sessões.

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Outros livros

Thainara, 22 anos, é estudante de direito. Em seu primeiro discurso, ela ressaltou que a política não pode caminhar junto com a religião. O Brasil é um Estado Laico e por isso tem que ser neutro em relação à religiosidade.

A vereadora sugeriu aos vereadores a leitura de outros livros sagrados também, junto com a Bíblia. Foram citados por ela o evangelho kardecista, o alcorão e livros de ateísmo. "Não podemos ferir a Constituição. É preciso que os parlamentares conheçam os princípios do País", disse ela.

A leitura da Bíblia foi instituída em 21 de julho de 2006. O presidente da Câmara, Jeferson Yashuda (PSDB), disse que o vereador não é obrigado a ler um trecho do livro sagrado. "É passada uma lista para os vereadores que queiram ler. A vereadora Thainara decidiu não ler. Não havia necessidade dela se pronunciar sobre isso", disse Yashuda.

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Segundo Yashuda, a decisão dela, em não ler, faz parte das regras da Casa, porém sua manifestação causou surpresa a todos.

Cientista político

Gabriel Antonio, cientista político, comentou que, embora o Estado seja neutro na parte da religião, é possível existir vínculos com igrejas, desde que haja interesse público. De acordo com ele, a realização de missas, cultos ou evento religioso deve ser uma iniciativa do foro privilegiado, com a garantia de liberdade de consciência e de crença.