Desde os tempos idos da história humana, muitos líderes religiosos se envolveram em escândalos políticos e econômicos, abandonando a regra áurea de amar o próximo como a si mesmo, pelo simples interesse em participar de fraudes, mentiras, corrupções e mediocridade, dos quais eles pudessem se beneficiar de alguma forma. Isso não é diferente nos tempos modernos e, aqui mesmo no Brasil, existem casos clássicos de pessoas que, além de serem parlamentares, são líderes religiosos de destaque, geralmente ligados aos ramos neo-pentecostais ou protestantes enraizados no poder do Planalto Central, formando a denominada “bancada evangélica”, cuja maioria de seus membros é defensora ardorosa do atual presidente da República Michel Temer.

Publicidade
Publicidade

Entretanto, a fusão em um Estado laico, como o Brasil, entre política e religião, está longe de atestar o real caráter de um indivíduo. #Silas Malafaia, que é pastor da seita Associação Vitória em Cristo, ramo protestante que tem ligações diretas com a conhecida Assembleia de Deus, se atola cada dia mais em investigações da PF - #Polícia Federal, no que diz respeito à lavagem criminosa de dinheiro. Tanto é assim, que na “Operação Timóteo” o religioso, no dia 16 de dezembro de 2016, foi conduzido coercitivamente (quando o investigado é forçado a estar na frente das autoridades para prestar depoimento e só depois disso é liberado) para prestar maiores esclarecimentos em uma das estruturas da PF em São Paulo.

Um sistema complexo e bastante meticuloso de corrupção, disfarçado por meio de cobrança de origem jurídica de royalties da exploração de minérios, foi descoberta como ilegal pela Operação Timóteo.

Publicidade

Vale frisar, antes de tudo, que o correto é que exatamente 65% da denominada CFEM - Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais são voltados para os municípios brasileiros produtores de algum tipo de riqueza geológica.

É especificamente nessa parte do enredo que entra a participação escusa de Malafaia, que se encontra sob suspeita de dar suporte no recebimento do dinheiro da rede de #Corrupção, pois sendo ele o principal dirigente da Associação Vitória em Cristo, recebeu valores mais do que significativos do escritório de advogados, que se constitui no principal pesquisado pela PF. Trocando em miúdos, os policiais estão no encalço de constatar se Silas Malafaia “emprestou” contas bancárias da sua Associação religiosa para que o dinheiro desviado ilicitamente, fosse “lavado” debaixo de uma fachada de legalidade.

Fato é que no dia em que o pastor Malafaia sofreu a condução coercitiva, acabou espumando de raiva diante das câmeras de várias emissoras de televisão e, neste mesmo dia, Silas postou em sua rede oficial do Twitter, totalmente fora de si, inúmeras mensagens contendo vídeo e áudio com a negação enfática de que ele não participaria em um esquema tão sórdido e disse ainda que ele, como ninguém, sabe “o poder das trevas"; entretanto, pelo andar das investigações, o Diabo parece ser o menos culpado em tamanho show de patifaria com o dinheiro do cidadão comum.

Publicidade

Em tempo, o nome de Operação Timóteo foi escolhido em alusão ao livro bíblico das escrituras Gregas Cristãs, em que o apóstolo Paulo escreveu ao discípulo Timóteo, o seguinte: “os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição”. Pelo que tudo indica, novos rolos de investigação terão de ser abertos para se constatar a real participação do polêmico Silas Malafaia no mar de escândalos que inunda o Brasil.