O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o primeiro delator da Operação Lava Jato, confirmou em depoimento nesta sexta-feira (10) a presença do hoje governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando #Pezão (PMDB), em reunião no Palácio Guanabara, em 2010. Na ocasião, segundo o delator, o então chefe do Executivo fluminense Sérgio #cabral, também do PMDB, pediu "apoio financeiro para a campanha dele".

Costa depôs ao juiz federal Sérgio Moro, que preside ação criminal contra Sérgio Cabral. Segundo o delator, a partir de 2007, o PMDB passou a apoiá-lo na Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Em 3 de março, o vice-procurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o arquivamento da investigação sobre Pezão em inquérito que apura corrupção e lavagem de dinheiro em contratos do Comperj.

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"Com a análise dos indícios especialmente relacionados ao detentor de foro especial no Superior Tribunal de Justiça, foi constatada a ausência de elementos suficientes para se deduzir uma imputação penal contra o atual governador do Rio de Janeiro", afirmou José Bonifácio.

Nesta sexta-feira, Paulo Roberto Costa afirmou que o pedido de propina foi feito por Sérgio Cabral. "Nessa reunião que eu fui no Palácio Guanabara, estavam presentes ele, o secretário Wilson Carlos e, na época, o vice-governador Pezão. Os três estavam presentes nessa reunião. Ele incumbiu o Wilson Carlos de ser o interlocutor junto às empresas e assim foi feito", declarou o ex-diretor da Petrobras. "O pedido foi só feito por ele, pelo Sérgio Cabral."

O delator afirmou que um tempo depois o empreiteiro Rogério Nora, da Andrade Gutierrez, o procurou na Petrobras e o questionou sobre o pagamento para o governador Sérgio Cabral.

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"Como ele havia me pedido, o governador me pediu, eu disse que sim, que era para fazer. Houve uma reunião na Petrobras com o Rogério Nora e ele fez essa pergunta: se era ou não para fazer o pagamento ao governador. Eu falei 'sim, faça o pagamento'", disse o ex-diretor da estatal.

Costa declarou não saber quanto cada empresa teria pago ao governador. "Os contatos deixaram de ser feitos comigo. Quem estava conduzindo este assunto era o secretário Wilson Carlos", disse.

"O governador nunca reclamou que os valores não teriam sido pagos. Eu me encontrei com ele várias vezes depois desse evento, em outros assuntos de relacionamento da Petrobras como o Governo do Estado, na parte de licenciamento ambiental, em uma série de outras atividades do interrelacionamento empresarial da Petrobras com o Governo do Estado e ele nunca se queixou que não teriam sido feitos os pagamentos."

O advogado Eduardo Galil, que defende Sérgio Cabral, questionou Paulo Roberto Costa sobre seu relacionamento com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

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"O senhor teve tanto êxito na sua administração que tinha uma certa intimidade com a presidenta Dilma", disse ele.

"Intimidade eu não posso dizer que eu tinha. Ela era presidente do Conselho da Petrobras de 2003 a 2010. Nós da diretoria participávamos como convidados de todas as reuniões de Conselho e com certeza cada diretor tinha que, volta e meia, apresentar dados e fazer explanações sobre sua área. Nós tínhamos contato frequente com ela devido a esse fator de participar das reuniões do Conselho de Administração", disse Costa.

O advogado Daniel Raizman, que representa Carlos Miranda, apontado com operador de Sérgio Cabral, quis saber de Paulo Roberto Costa qual foi a reação de Pezão na reunião de 2010. "Qual foi a atitude de Pezão quando foi feito o pedido? Ele escutou?"

O procurador Athayde Ribeiro Costa interrompeu. "O atual governador não é investigado nos autos."

O juiz Sérgio Moro alertou. "Doutor, existe uma questão de competência envolvida, nós não temos essa competência para apurar fatos em relação ao atual governador. Essa pergunta eu vou indeferir."

A assessoria do governador Pezão e a defesa de Sérgio Cabral não se manifestaram. #Lava Jato