Acuado pelos escândalos políticos que assolam diversos integrantes do alto escalão de seu governo, o presidente #Michel Temer (PMDB) prepara sua estratégia para intensificar e implementar a reforma da Previdência Social. Sem poder contar com seu principal articulador político, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha - de licença médica e citado em delações de esquemas de caixa dois praticados pela empreiteira Odebrecht - Temer pretende dividir a reforma em três etapas que podem começar a tramitar já neste mês de março.

Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o presidente quer alterar as regras do PIS ainda este mês e a da Cofins até julho. A ideia do governo é iniciar a reforma através de medidas provisórias apresentadas pelo presidente. Juntos, PIS e Cofins representam hoje cerca 20% da arrecadação total do governo federal.

Caso a estratégia funcione, o governo pretende iniciar a reforma do ICMS no segundo semestre de 2017, diminuindo as alíquotas cobradas nas operações entre estados brasileiros. A ideia do governo é conseguir colocar as medidas em práticas antes de 2018, já que a proximidade de novas eleições pode enfraquecer a ideia da reforma junto ao Congresso.

Segundo o jornal O Globo, Temer tem realizado reuniões com seus principais aliados para definir a melhor maneira de colocar a reforma em prática mesmo sem o auxílio de Padilha. Entre os aliados de Temer na missão estão políticos como o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o deputado André Moura (PPS-SE) e o relator da proposta, o deputado Arthur Maia (PPS-BA).

Caso consiga costurar os acordos necessários para garantir os votos que aprovem as medidas provisórias da reforma, Temer e seus aliados acreditam que o caminho para aprovar outras propostas estaria pavimentado. Entre os projetos que o governo quer implementar estão medidas como a reforma trabalhista, que também deve gerar muita discussão entre políticos e eleitores.

Novas acusações pairam sobre Padilha

Enquanto tenta costurar os complexos acordos sem a ajuda de Padilha, Temer e seus aliados veem o ministro da Casa Civil ser citado em mais delações de suposto recebimento de propina. Além do relato de ex-executivos da Odebrecht e de José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer que afirma ter recebido um envelope com dinheiro destinado a Padilha das mãos do doleiro Lúcio Funaro; Padilha também foi citado por um ex-executivo da empreiteira Andrade Gutierrez.

Em seu depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Otavio Azevedo, ex-executivo da empresa, afirmou que compareceu a uma reunião no Palácio do Jaburu, onde o então vice-presidente Temer residia. No encontro, Azevedo afirmou que a Andrade Gutierrez aceitou pagar R$ 1 milhão para a campanha eleitoral da chapa Dilma-Temer, que terminou eleita e que, após a queda de Dilma em processo de impeachment, culminou com Temer na presidência.

Segundo Azevedo, a resposta positiva para a doação por meio de caixa dois veio na semana seguinte pelo então assessor de Temer, Eliseu Padilha. A informação foi veiculada na edição desta segunda-feira, dia 6, da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. #Reforma da Previdência #Corrupção