Após a vitória na aprovação do projeto de terceirização na Câmara dos Deputados por uma margem pequena (231 a 188), o governo Michel Temer se assustou com o primeiro instante de infidelidade da base aliada em votações. Até esse momento, o Planalto não havia tido nenhum problema em aprovar, tanto na Câmara como no Senado, todos os projetos considerados importantes. O medo do governo é que em projetos considerados mais importantes, como a reforma da Previdência, a infidelidade da base seja ainda maior e o Planalto sofra uma derrota que não estava contando.

Nesta quinta-feira (23), um dia após a votação e aprovação da regulamentação da terceirização, na última quarta-feira (22) na Câmara, Michel Temer se reuniu com líderes do governo e recebeu a sugestão dos mesmos para que puna os deputados da base aliada que votaram contra ou se abstiveram da proposta de terceirização.

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Alguns dos partidos que tiveram a maior taxa de infidelidade foram, curiosamente, o próprio PMDB, partido de Michel Temer, e PSDB, principal aliado governista.

A proposta dos líderes do governo na Câmara é que Michel Temer corte dos cargos os afilhados políticos dos deputados que foram infiéis ao governo. Cargos como os de ministros de Estado, secretários nacionais, dirigentes de autarquias, fundações e estatais são utilizados e distribuídos pelo governo como forma de fidelizar sua bancada. Foi questionado na reunião que não dá para explicar essa dissidência se os deputados estão indicando e sendo contemplados com os cargos.

Infidelidade dentro de casa

Para se ter uma ideia do tamanho do susto que o Planalto tomou nessa votação, nem o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), esteve presente para votar na quarta à noite.

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O peemedebista comanda a maior bancada na Casa Legislativa, são 64 deputados representando o partido. A ausência do líder do partido, que está em viagem à China desde domingo (19), foi apontada como fator para tamanha dissidência. Dos 64 deputados da bancada do PMDB, apenas 44 estiveram presentes na votação. Desse total, dez votaram contra o projeto e dois se abstiveram.

Aliado infiel

O aliado mais próximo para derrubar Dilma Rousseff da presidência e base de sustentação ao governo de Michel Temer, PSDB, também foi outro que não se mostrou tão fiel assim aos interesses do Planalto. Estiveram presentes 43 deputados da bancada do partido. 11 tucanos votaram de forma contrária aos interesses do governo. Essa "traição" surpreendeu o Executivo, pois o PSDB ocupa ministérios importantes. Curiosamente, o cargo de secretário de Relações Institucionais, ou seja, o responsável por fazer a articulação entre os interesses do Planalto e a base aliada no Legislativo, é ocupado por um tucano, o deputado Antônio Imbassahy (BA).

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Outras traições

O PPS foi outra bancada aliada que votou contra o governo. Dos oito deputados que representam o partido, cinco votaram de forma contrária a terceirização. Até o líder da bancada, Arnaldo Jordy (PA), foi contra.

No PP, sete dos 40 votos foram contra os interesses do governo. O PR também teve seus dissidentes. Dez dos 30 deputado traíram o Planalto. #Dentro da política