Com as investigações da Operação Lava Jato afunilando para o meio político após as delações da Odebrecht, diversos parlamentares, ministros e até presidente da República já pensam no cenário de eleições de 2018 para manterem seus foros privilegiados e suas investigações e possíveis julgamentos ficarem por conta do Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns dos principais caciques da política nacional já pensam em mudar seus planos e ficarem no que consideram uma "eleição mais garantida" para permanecer longe de julgamentos em 1ª instância.

Nas eleições de 2018, estarão em disputa os cargos de presidente da República e vice, 513 cadeiras na Câmara dos Deputados e dois terços das 81 vagas no Senado Federal, ou seja, 54 senadores serão eleitos.

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E os investigados pela Lava Jato precisam traçar a melhor estratégia para manter seus cargos no legislativo e executivo federal, e mantendo, por consequência, o foro privilegiado.

Estratégia

Três são os cenários que podemos observar no Congresso Federal. Existem aqueles senadores que pretendiam não disputar a reeleição e iriam tentar assumir o governo de seus estados. Alguns já analisam de mais bom grado a chance de concorrer a uma cadeira no Senado novamente. Uma outra parcela de senadores já acham que é difícil até se reeleger para a Casa Legislativa, pois o número de vagas é reduzido, duas para cada estado, já que estão com o eleitorado em cheque, e estudam a possibilidade de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, que tem uma maior possibilidade de se eleger pelo número de cadeiras disponível.

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Alguns deputados de nomes mais expressivos estudavam a possibilidade de concorrer ao cargo de senador, sem nenhuma garantia, claro, de se eleger. Muitos já pensam em ficar em uma disputa mais cômoda e tentar o cargo de deputado novamente. Alguns já têm carreiras consolidadas na Câmara dos Deputados e um eleitorado fiel para permanecer na Casa Legislativa.

Nomes cogitados

O principal caso no Senado é o do presidente daquela casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O senador tem o sonho de governar o estado do Ceará, para tal, concorreu nas eleições de 2014 ao cargo, mas foi derrotado pelo então governador petista, Camilo Santana. Para entrar na disputa naquele ano, Eunício rompeu com os irmãos Ciro e Cid Ferreira Gomes, os dois mais influentes políticos do estado. Há quem diga que Eunício já deu para trás na ideia de concorrer ao governo do estado e deve tentar se reeleger senador, chegando até a se reaproximar dos Ferreira Gomes e que irá entrar na chapa de Camilo Santana. O curioso é que Camilo é do PT, mesmo partido que Eunício articulou e ajudou a tirar do poder com o impeachment de Dilma.

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Mas, como se sabe, quando a disputa é estadual, o cenário político federal não influencia muita coisa.

Outro caso icônico é dos três senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR), Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE). Segundo matéria do Estadão, os três estudam a possibilidade de tentar se eleger para a Câmara dos Deputados e reforçar a bancada do PT na Casa. #Dentro da política