Marcelo #Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do Grupo Odebrecht, literalmente desabafou à Justiça Eleitoral em seu depoimento colhido nesta quarta-feira (1). Segundo informação veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo, o empresário afirmou que se sentia o “bobo da corte” em meio a tantos repasses de recursos a campanhas eleitorais e a candidatos.

Ele é um dos principais executivos presos na Operação Lava Jato, que apura o esquema de propina no governo federal. Segundo ele, muitos projetos eram repassados sem que houvesse uma contrapartida que julgava necessário.

Em seu depoimento, Odebrecht detalhou o estreito contato que possuía com o alto escalão do governo dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e de #Dilma Rousseff.

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“Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo”, afirmou

Marcelo Odebrecht, que também se mostrou muito irritado ao lembrar das divergências que possuía com seu pai, o patriarca da maior empreiteira do país, Emílio Odebrecht, em suas negociações de apoio ao governo, principalmente as negociações que mantinha com o ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, Guido Mantega.

Conversas com Aécio Neves

Em seu depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Odebrecht também relatou que o senador #Aécio Neves (PSDB-MG), candidato a presidente da República em 2014, teria lhe pedido R$ 15 milhões para financiamento de sua campanha naquele ano.

Segundo ele, o pedido de Aécio Neves foi considerado muito alto pelos executivos da Odebrecht. Como solução, o senador teria sugerido a “alternativa” que os pagamentos fossem feitos em parcelas aos seus aliados políticos.

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Porém, o pagamento não foi concretizado, pois Marcelo Odebrecht acabou sendo preso na Operação Lava Jato. Mesmo com a sua prisão, a negociação foi definida e que o repasse dos R$ 15 milhões ficou a cargo de Sérgio Neves, superintendente da Odebrecht em Minas, e de Oswaldo Borges, empresário acusado de ser tesoureiro informal do PSDB.

O relato dos repasses coincidem com a planilha de pagamentos de propinas recolhida pela Polícia Federal no chamado departamento de propinas da Odebrecht. Nesta planilha é descrita o pagamento de R$ 15 milhões ao “mineirinho”, que, segundo investigação, era o apelido de Aécio Neves nesse departamento.