As delações premiadas de três ex-executivos da Odebrecht revelam que a empreiteira supostamente repassou R$ 30 milhões em caixa 2 para que partidos apoiassem a chapa PT-PMDB à presidência nas eleições de 2014. Segundo os depoimentos de três ex-executivos da empreiteira, o valor total destinado a outros partidos teria sido de R$ 30 milhões. Os acordos teriam garantido que a chapa formada pela então presidenta e candidata Dilma Rousseff (PT) e o então vice e atual presidente Michel Temer (PMDB) tivessem mais tempo de propaganda eleitoral na TV.

Segundo informações do jornal O Globo, O PDT e o PROS teriam recebido quantias de caixa 2 para apoiarem à chapa.

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De acordo com o Jornal Nacional, da TV Globo, legendas como o PCdoB, o PP e o PRB também teriam feito parte do acordo.

Caso as denúncias sejam julgadas e comprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (#TSE), a chapa Dilma-Temer pode ser cassada. Como a ex-presidente Dilma Rousseff já foi deposta do cargo após processo de impeachment em 2016, as denúncias podem afetar o mandato do atual presidente Michel Temer. Ciente do risco, o Planalto e a defesa do presidente já estudam estratégias para tentar separar judicialmente a chapa Dilma-Temer, ou ao menos retirar a responsabilidade de Temer sobre as verbas de campanha recebidas pelos partidos.

Delator afirma que pagamento foi intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega

Em depoimento prestado ao TSE na última quinta-feira, dia 2, o ex-presidente da #Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, revelou que o pedido para o pagamento de caixa 2 da Odebrecht aos partidos da coligação teria sido requisitado por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma.

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Segundo Reis, Mantega teria acertado o acordo diretamente com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira.

Reis revelou ainda que acertou diretamente com Marcelo Panella, então tesoureiro do PDT, o repasse de R$ 4 milhões para garantir o apoio da sigla à chapa PT-PMDB. De acordo com o ex-executivo, o acordo seria para garantir o uso do tempo de TV do partido em favor da candidatura de Dilma e Temer.

O delator também afirmou que o pagamento realizado ao PROS foi feito por meio do suplente de deputado federal Eurípedes Júnior. No entanto, Reis não soube detalhar os valores desta segunda negociação.

Acordo garantiu maior tempo de TV à chapa PT-PMDB

Durante as eleições presidenciais de 2014, a chapa da candidatura de Dilma e Temer teve o maior tempo de propaganda na TV, com 11 minutos e 24 segundos de cada bloco de 25 minutos transmitidos no horário eleitoral gratuito. Além dos 45 segundos mínimos dedicados a cada candidato, as chapas obtinham mais tempo de acordo com o número de deputados de cada coligação.

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PDT e PROS negam acusações

Presidente do PDT, Carlos Lupi negou as acusações de Reis, afirmando que o ex-executivo precisa provar as acusações, classificadas por ele como “calúnias”.

“O PDT foi o primeiro partido político que declarou oficialmente apoio à chapa de Dilma Rousseff. Foi no dia 10 de junho de 2014, quando a então candidata foi ao partido em ato público amplamente divulgado pela imprensa. Isso já comprova, diante das datas apresentadas pelo delator, que o anúncio aconteceu meses antes do suposto pagamento”, disse Lupi, que afirmou ainda que seu partido irá agir na Justiça para exigir que Reis comprove suas acusações.

O PROS também se manifestou sobre as acusações. Em nota, o partido afirmou que as doações recebidas durante a campanha foram declaradas à Justiça Eleitoral. Também citado na delação, o PRB foi outro que afirmou não ter recebido verba de caixa 2. Segundo O Globo, o PR e o PT não se manifestaram sobre a delação, bem como o ex-ministro Guido Mantega. #Corrupção