As delações dos executivos e ex-executivos da Odebrecht, que ficou conhecida como "delação do fim do mundo", abalou o cenário político brasileiro quase que em sua totalidade. Em meio aos depoimentos dos setenta delatores, foram citados 415 políticos, de 26 partidos - por curiosidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui registro oficial de 35 partidos. O levantamento foi uma análise do jornal "O Estado de S. Paulo" das 337 petições feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

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Os partidos que lideram o número de citações são PT, PSDB e PMDB. Ao todo, 93 petistas aparecem nas delações da Odebrecht. Tucanos e peemedebistas estão exatamente empatados, com 77 membros do seu hall de filiados citados. Os três representam 59,5% dos políticos lembrados, segundo o jornal.

Vale ressaltar que esses são os três principais partidos do Congresso Nacional e os responsáveis por ocupar o cargo de presidente da República desde 1992 - Itamar Franco (PMDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB). Curiosamente, os dois peemedebistas nessa lista não foram eleitos para o cargo, Itamar entrou para substituir Fernando Collor, quando esse foi afastado e posteriormente renunciou, e Temer substitui Dilma, após a presidente sofrer o impeachment.

PT

Comandando o país de 2003 até meados de 2016, o Partido dos Trabalhadores parece ter sido o principal atingido com as delações da Odebrecht. Além dos ex-presidentes Lula e Dilma, outras figuras renomadas do partido também constam na lista, como são os casos de Antonio Palocci e José Dirceu, já pegos pelo Mensalão. Dois ex-ministros de Dilma também foram citados: Jaques Wagner e Guido Mantega. Paulo Bernardo, outro importante nome dentro do PT, também foi citado. Ele é marido da senadora Gleisi Hoffmann, possivelmente a sucessora de Rui Falcão na presidência nacional do partido. A senadora do Paraná tem o apoio de Lula para concorrer ao cargo. Os governadores Tião Viana (AC) e Fernando Pimentel (MG) também foram citados.

PMDB

No partido de Michel Temer não é muito diferente. Além do próprio Michel ter sido citado, outros caciques peemedebistas estão bem sujos. O principal caso é do presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá. Ele foi o líder de inquéritos abertos por Fachin, com cinco, empatado com o também senador Aécio Neves. O presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira, também foi citado. Seu antecessor, Renan Calheiros, é outro que foi lembrado pelos delatores da Odebrecht. O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, já preso, e o atual governador, Edson Pezão, foram citados também. E não podemos esquecer do articulador do impeachment de Dilma, Eduardo Cunha, que já está preso desde outubro do ano passado.

PSDB

Os três tucanos de maior plumagem atualmente, e que ainda almejam se mudar para o Palácio do Planalto algum dia, apesar de já terem tido suas tentativas frustradas por Lula e Dilma, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra também foram citados pelos delatores da Odebrecht. O pior caso é do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, sendo ele o líder de inquéritos abertos por Fachin. Neves é citado em ações escusas desde os tempos em que ocupou o governo de Minas Gerais até sua campanha presidencial derrotada em 2014. José Serra, já derrotado duas vezes quando tentou ser presidente, também foi citado, tendo essa informação vazado quando ele ainda ocupava o Ministério das Relações Internacionais. Alckmin é outro citado, sendo acusado de pedir que a propina fosse paga a seu cunhado, tendo o próprio governador de São Paulo entregue o cartão do familiar. #Dentro da política