Os cinco ex-presidentes brasileiros vivos, Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor de Melo (PTC) e José Sarney (PMDB), foram citados nas delações dos ex-executivos da Odebrecht divulgadas na última quarta-feira (11).

Quatro deles - Dilma, Lula, FHC e Sarney - não possuem mais foro privilegiado por não ocuparem nenhum cargo político eletivo. Por essa razão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, enviou os pedidos de investigação contra os quatro para instâncias inferiores. Já Collor, que é senador da República e possui foro privilegiado, teve inquérito aberto por Fachin e mantido o caso no STF.

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Dilma

Segundo as delações, a ex-presidente petista tinha consciência do uso de caixa dois em sua campanha presidencial de 2014. Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações Institucionais da Odebrecht, afirmou que Dilma recebeu "vantagens indevidas" que não foram contabilizadas durante sua última campanha presidencial, vencida em 2014. Obviamente, Rousseff sempre negou qualquer vantagem ou dinheiro recebido de forma indevida.

Lula

O ex-presidente Lula é um dos principais alvos dos delatores da Odebrecht. Entre as denuncias contra o petista, uma delas envolve a reforma de um sítio em Atibaia frequentado por Lula e sua família no valor de R$ 1,5 milhão, segundo a Polícia Federal.

Marcelo Odebrecht e outros delatores afirmaram que a empreiteira comprou um prédio em São Paulo, em 2010, onde supostamente seria construída a nova sede do Instituto Lula.

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A DAG Construtora, que intermediou a negociação, teria recebido R$ 7,6 milhões.

A Odebrecht, segundo delatores, ainda teria ofertado dois "agrados" ao ex-presidente. O primeiro seria a construção da Arena do Corinthians, em Itaquera, São Paulo. Reconhecidamente corintiano, a construção do estádio, segundo Emílio Odebrecht, presidente do conselho do grupo que carrega o seu nome, era um presente para Lula pela suposta ajuda do ex-presidente ao grupo em seus oito anos no governo. O outro agrado seria orientação de carreira ao filho de Lula, Luis Cláudio Lula da Silva, sobre como melhor administrar sua empresa, a Touchdown Promoções e Eventos Esportivos.

FHC

O tucano Fernando Henrique Cardoso não está isento das acusações dos delatores da Odebrecht. Emílio Odebrecht afirmou que o ex-presidente recebeu "vantagens indevidas, não contabilizadas", nas duas eleições que ganhou. O presidente de honra do PSDB foi chefe do executivo nacional entre 1995 e 2002.

Collor

Dois delatores afirmaram que o senador Fernando Collor recebeu o valor de R$ 800 mil de caixa dois em sua campanha ao senado em 2010.

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Edson Fachin já determinou abertura de inquérito contra o ex-presidente, que comandou o país entre 1990 e 1992.

Sarney

A delação envolvendo José Sarney não trata do seu nome em si. Segundo afirmação de delatores, seu grupo politico, encabeçado por José Francisco das Neves, recebia 1% de todos os contratos envolvendo a ferrovia Norte-Sul nos anos de 2008 e 2009. Sarney presidiu o Brasil entre 1985 e 1990.

Investigados

Depois da famosa Lista do Janot, a Lista do Fachin divulgada esta semana conta com a presença de oito ministros do atual governo, 24 senadores e 39 deputados. O auto-escalão do governo de Michel Temer está envolvido, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Os líderes em denúncias são Aécio Neves (PSDB-MG) e Romero Jucá (PMDB-RR), cinco cada. Ambos ajudaram a derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff. #Dentro da política