O Partido dos Trabalhadores se encontra, possivelmente, em um dos momentos mais conturbados de sua história. Em um cenário com acusações de corrupção, uma presidente que sofreu impeachment, o partido voltando a ser oposição após pouco mais de 13 anos e uma derrota nas urnas municipais que não se via enquanto os governos petistas estavam no Planalto, o PT passará por uma eleição interna em junho deste ano para determinar seu novo presidente.

Historicamente, desde sua fundação, em 1980, os principais nomes do partido encabeçavam os quadros do diretório nacional petista. Porém, com a eleição vencida em 2002 pelo ex-presidente Lula e sua posse em 2003, esse cenário mudou, e o prestigio e os cargos ocupados agora eram no âmbito Federal, como, por exemplo, José Dirceu e Antônio Palocci, que se tornaram ministros de Lula.

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A ex-presidente Dilma manteve essa escrita, tendo, por exemplo, novamente Palocci em seu quadro ministerial. Jaques Wagner é outro petista influente que se tornou ministro de Dilma.

Sem a possibilidade de ocuparem os principais cargos da administração federal após a saída do poder, aumenta exponencialmente a importância de estar nos quadros nacionais do partido. Por isso mesmo que a disputa para presidente nacional do PT está causando divergências dentro da legenda. Dois nomes são apontados atualmente como os principais candidatos ao cargos: a senadora do Paraná, Gleisi Hoffmann, e o senador pelo Rio de Janeiro, Lindbergh Farias, ambos tomaram à frente na defesa da ex-presidente Dilma no Senado Federal. Até o ano passado, antes de Dilma sofrer o impeachment, Rui Falcão, atual presidente do PT, defendia a candidatura de Lula, mas essa hipótese já foi descartada pelo ex-presidente, que quer, na verdade, voltar ao Planalto.

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Gleisi Hoffmann

A senadora é apoiada pela corrente interna denominada Construindo um Novo Brasil (CNB), encabeçada por nada mais, nada menos, que o ex-presidente Lula. É a maior atualmente nos quadros petistas. Gleisi representa a continuidade dos que já estão no poder atualmente no partido.

O simbolismo está a favor de Gleisi, pois ela poderia ser a primeira mulher a comandar o partido, seguindo os passos de Dilma. Ela também representa uma renovação. Com 51 anos, é bem mais jovem do que o atual presidente, que tem 73. A senadora foi ministra da Casa Civil de Dilma.

Gleisi tem como ponto negativo o fato de ser ré no STF desde setembro de 2016 e seu marido, Paulo Bernardo, ter sido detido por uma semana por suspeita de corrupção no Ministério do Planejamento.

Lindbergh Farias

Já o senador carioca faz parte do movimento Muda PT, que é uma junção de correntes contrárias as diretrizes nacionais do partido. Farias foi as ruas pelas Diretas Já e como Cara Pintada, é visto como a melhor pessoa para levar o partido para o lado mais esquerdista, de onde nunca deveria ter saído, como alguns defendem.

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Perspectivas

Os dois senadores possuem alguns pensamentos iguais, como, por exemplo, a ideia de ser frontalmente contra o PMDB e o Planalto em todos os momentos e votações. Algo que o PT fez bem durante os muitos anos de oposição antes de assumir o Planalto com Lula. Ambos são contrários a ideia do senador Humberto Costa (PT-PE), que faz parte da CNB, por exemplo, que defende uma postura mais aberta e negociadora por parte do partido.

Por outro lado, Gleisi e Lindbergh tem suas diferenças. Ele é considerado mais esquerdista e não apoia de forma alguma o ajuste fiscal, nem o que era proposto pela ex-presidente Dilma em 2015. Já a senadora é considerada mais pragmática, tanto que era a favor do ajuste defendido por Dilma. #Dentro da política