A tão esperada delação do empresário Marcelo #Odebrecht se tornou pública nesta quarta-feira, quando o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava-Jato, tirou o caráter sigiloso das declarações. Nelas, Odebrecht revela pagamentos milionários destinados ao ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, por meio de uma sub-conta denominada “amigo”, em referência a Lula.

O depoimento de Odebrecht foi prestado na última segunda-feira, dia 10, e foi revelado nesta quarta-feira, após autorização de Moro. A delação está dentro de uma ação penal da Lava-Jato que envolve o próprio ex-presidente do Grupo Odebrecht, o ex-ministro petista Antonio Palocci e mais 13 réus.

Publicidade
Publicidade

O empresário revelou inicialmente um repasse de R$ 35 milhões a Lula – na sequência, falou em R$ 40 milhões destinados ao “amigo”. Segundo ele, todos os repasses eram intermediados por Palocci, político tradicional do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-ministro da Fazenda no governo Lula.

“Eu havia combinado com o Palocci que essa seria uma relação pessoal minha com o Partido dos Trabalhadores. Disse a ele que mudaria o governo, que entraria a Dilma, e que esse saldo passaria a ser gerenciado por ela. Sabíamos que ainda haveria orientações e demandas do Lula, para o instituto e outras coisas, então abrimos esse saldo com R$ 35 milhões, na conta “amigo”, para o uso que fosse orientado a partir de Lula”, confidenciou.

Logo na sequência, o empresário “sobe” o valor e menciona 40 milhões de reais pelo saldo “amigo”.

Publicidade

Ao mesmo tempo, ele garante que Lula jamais o procurou para pedir qualquer coisa. Todos os contatos, segundo ele, eram feitos por Palocci – que está preso desde setembro de 2016 na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

No entendimento do empresário, Lula seguiria articulando no governo mesmo com a saída oficial e a entrada de Dilma Rousseff. Desta forma, o empresário acreditava que os recursos do saldo “amigo” se “misturava” entre os interesses de Lula com as necessidades do governo Dilma – destituída do cargo em agosto de 2016 após um longo e polêmico processo de impeachment, que promoveu o então vice-presidente Michel Temer.

“Nós botamos nesse saldo R$ 40 milhões para atender demandas que fossem do Lula. Ele, o ex-presidente, pessoalmente nunca me pediu ou solicitou absolutamente nada. As combinações eram feitas através do Palocci. Óbvio que, com o tempo, ficou bastante claro que era para o Lula. Palocci me pedia para descontar da conta”, acrescentou.

Ainda durante o interrogatório, Marcelo Odebrecht revela que ajudou na campanha presidencial de 2010 com um montante de R$ 50 milhões na planilha do “italiano”, codinome de Antonio Palocci.

Publicidade

O valor teria sido movimentado por Guido Mantega, homem-forte da economia nos governos Lula e Dilma.

Instituto Lula nega envolvimento nas acusações

Como habitual após as acusações que são feitas, o Instituto Lula se posicionou e negou a existência da conta “amigo”, garantindo a inocência do líder petista. O grupo que recebe o nome do ex-presidente garante que todas as doações foram conforme o que determina as regras.

A nota em defesa de Lula também lembra que o ex-presidente já teve seus sigilos fiscais quebrados, sofreu busca e apreensão em residência, além das várias testemunhas ouvidas em processos, e que, ainda assim, nenhuma irregularidade foi encontrada.

A assessoria do Instituto Lula garante que o ex-presidente não tem conhecimento sobre a tal “planilha” de depósito financeiro nem sobre o apelido “amigo”, utilizado para a conta em que teriam sido depositadas quantias da Odebrecht a Lula. #Lava Jato