O ex-diretor da SuperVia, Carlos Vieira, prestou depoimento, no âmbito da Lava Jato, ao Ministério Público, e citou pagamentos de propina ao PT e a membros da Infraero, para obras do aeroporto Santos Dumont. Quando relatou sobre a propina paga ao PTB, Vieira revelou um episódio não muito comum. O enviado do Partido Trabalhista Brasileiro, ao receber o dinheiro em espécie, abaixou a calça e escondeu as cédulas em suas meias e na ceroula.

O delator Carlos Vieira citou ao menos oito pessoas que receberam pagamentos entre R$ 100 mil e R$ 3,7 milhões pela obra do aeroporto Santos Dumont. Segundo Carlos, houve repasses ilegais da Odebrecht a muitas pessoas, entre 2004 e 2006, para viabilizar a obra no aeroporto.

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Ele também disse que a combinação de 3% do faturamento deveria ser paga e controlada em 3 ramificações: 1% ao presidente da Infraero, Carlos Wilson; 1% ao PT e o outro 1% ao PTB.

Carlos Vieira disse que os pagamentos eram feitos em dinheiro e as entregas, muitas vezes, eram feitas no próprio aeroporto. Também citou o nome de Luiz Antônio Fleury, ex-governador de São Paulo, como sendo um dos responsáveis pela propina paga ao Partido Trabalhista Brasileiro. Afirmou ainda que Fleury já buscou dinheiro no Rio, mas que geralmente mandava um intermediário. Foi em uma dessas entregas de propina que ocorreu o fato revelado pelo delator.

Carlos Vieira contou que, um dia, o encarregado de retirar os valores chegou, deu uma senha combinada, recebeu o pacote de dinheiro lacrado e fez o que não era muito comum nos encontros para pagamentos de recursos.

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O enviado do PTB abriu o pacote lacrado, tirou o dinheiro de dentro, abaixou a calça e começou a colocar o dinheiro dentro da meia e na ceroula. Quando confrontado sobre a ação, o portador disse estar acostumado a fazer assim, que não era a primeira vez.

Já no PT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares foi dado como o responsável pelas tratativas de pagamentos. Carlos Vieira disse que Delúbio recebeu R$ 3,7 milhões e tinha o codinome de ''Guerrilheiro''.

A Infraero emitiu uma nota em que afirmou desconhecer quaisquer investigações relativas a obras no Santos Dumont. Afirmou ainda que as pessoas citadas não pertencem mais ao quadro da empresa e ressaltou que colabora com investigações.

Em outra nota divulgada, o PTB afirmou que Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero, não representava o partido. Também lembrou que em 2003 foi solicitada sua desfiliação por conta de sua administração à frente da Infraero. Na mesma nota afirma que o PTB não tem nada a ver com os problemas de gestão da Infraero e quem deve ser responsabilizado por isso é Carlos Wilson e o PT, partido ao qual serviu. #Lava-Jato #Política #Corrupção