O dia 28 abril, sexta-feira, foi caracterizado em todo o Brasil pelo estado de #Greve geral convocada pelas instituições tipicamente de ideologia política de esquerda, bem como, pelas centrais sindicais que no dia a dia mediam o relacionamento patrão – empregado. Os efeitos da paralisação foram sentidos em todos os lugares em que havia concentração considerável de pessoas e especificamente na Cidade de São Paulo, coração econômico do país, João Doria, prefeito eleito pelo #PSDB, fez questão de manifestar a sua zanga contra os grevistas ao ser entrevistado pela rádio paulistana Jovem Pan. Doria classificou todos os participantes e apoiadores do chamamento à paralisação maciça de “vagabundos” e também de “preguiçosos”. Vale frisar que o prefeito sempre foi um fiel defensor da classe empresarial e, obviamente, tem interesses distintos da camada mais pobre da população.

Publicidade
Publicidade

Durante o andamento da entrevista acima citada, Doria escancarou o verbo, dizendo que não é grevista e, justamente por isso, acorda cedo, pois o contrário dessa situação é destinado às pessoas que são grevistas ou que, em outras palavras, acordam tarde diariamente. O prefeito ressaltou que a Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana foram instrumentos utilizados pelo governo para desbloquear as vias públicas.

Doria, na realidade, estava lançando uma indireta mais do que direta contra o movimento que tinha em mente obstruir o trânsito na região próxima à residência dele; todavia, o político adiantou-se e teve sucesso em chegar ao prédio administrativo da prefeitura, localizado na região central da cidade, próximo ao Vale do Anhangabaú.

O prefeito se mostrou tão irritado com a greve geral do dia 28, que continuou adjetivando pejorativamente os integrantes que são contra as reformas trabalhistas e da previdência, impostas pelo governo do presidente Michel Temer e sua trupe. “Peleguistas” foi como Doria classificou as pessoas que deram suporte à greve no país, uma vez que segundo ele, foi somente a população comum, que madruga para trabalhar, quem mais saiu perdendo com a greve.

Publicidade

Não foram somente os sindicalistas o alvo preferido da fala de João Doria, mas sobrou até para Luiz Inácio Lula da Silva, o qual, pelo que tudo indica, disputará as eleições de 2018 concorrendo ao cargo de presidente da República. Em suma, Doria fez uma referência ao ex-presidente, insinuando que Lula e outros representantes da esquerda estão há décadas agenciando a conhecida política partidária, com a ideologia voltada somente para si próprios, sendo que ficaram ricos com práticas desonestas sobre o trabalhador que é forçado a quitar anualmente a sua contribuição aos sindicatos em geral. Tanto é que o prefeito arrematou a entrevista dizendo o seguinte: “acordem mais cedo, vagabundos. Sinceramente acordem mais cedo”.

Por outro lado, algo não faz muito sentido no discurso enraivecido do prefeito paulistano, pois a ironia está justamente na questão de que o PSDB, partido político de Doria, que governa o Estado de São Paulo por muitos anos, está atolado em alguns dos piores escândalos da nação, tais como a “máfia da merenda”, crise no abastecimento hídrico, socorro ilícito à Folha, Veja e Estadão, “propinuduto” tucano em relação à área de transporte público, pedágios considerados abusivos, ampliação fraudulenta da Nova Marginal Tietê, CPI da Eletropaulo, escândalos sucessivos no Rodoanel, cratera do metrô, esquema de corrupção favorecendo a Nossa Caixa e inúmeros outros disparates inacreditáveis, que levariam muito mais tempo para serem enumerados de tantos que são.

Publicidade

Que cada um tire as suas próprias conclusões diante de tamanha evidência dos fatos.

João Doria classificou os grevistas de "preguiçosos" e "vagabundos"

#SaoPaulo