#Lula vem aí. Depois de muitos boatos e especulações sobre as eleições presidenciais do ano que vem, o próprio líder petista admitiu que tem o desejo de se candidatar. Ele concedeu uma esclarecedora entrevista para a Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, nesta sexta-feira, e disse com todas as letras que quer se candidatar à presidência da República em 2018.

Algumas lideranças petistas já se movimentavam no sentido de tentar bolar um "plano B" para o caso de Lula não vir a ser candidato - vale lembrar que o ex-presidente, que dirigiu o Brasil entre 2003 e 2011, é réu em cinco ações penais no âmbito da Operação Lava-Jato, que investiga um esquema de desvio de recursos da Petrobras para diferentes partidos políticos.

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À Guaíba, Lula garantiu que só existe um "plano A" no seu partido, que é sua própria candidatura. Embora muitas especulações estejam sendo feitas desde o início do ano, essa foi a primeira vez que o ex-presidente mostrou total determinação em se tornar mais uma vez candidato à cadeira mais importante do Executivo.

"Se antes eu ainda tinha alguma dúvida, hoje já posso dizer com todas as letras: eu quero ser candidato à presidência da República", garantiu Lula.

Para justificar o seu desejo de voltar a ser candidato, o grande líder da esquerda brasileira disse que sabe como arrumar o país e que conhece as necessidades dos brasileiros. O político disse ter as condições necessárias para afastar o Brasil da atual crise e fazer a economia voltar a girar de uma forma positiva, ao contrário do que acontece atualmente.

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"Se tem uma coisa que eu conheço muito, mas muito bem, essa coisa é a alma do povo brasileiro. Eu sei como recuperar a autoestima do nosso povo. E eu quero ser candidato por isso. Quero me tornar candidato no ano que vem porque já mostrei a todos que eu sei consertar esse país", pontuou Lula.

Lava-Jato e Michel Temer

Lula concedeu essa entrevista como forma de preparação à vinda ao Rio Grande do Sul. Neste sábado, ele estará ao lado de sua ex-ministra e sucessora no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, em um ato em favor do Polo Naval de Rio Grande, localizado na região sul do Rio Grande do Sul. Lula criticou a falta de ação do governo de Michel Temer nesta região.

O agora pré-candidato às eleições de 2018 se mostrou completamente tranquilo quanto à audiência que terá com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução das investigações da Lava-Jato. Ambos estarão frente a frente no próximo dia 10, data em que foi marcada a audiência para o depoimento de Lula, em Curitiba.

"Eu tenho a mais plena certeza de que eu sairei inocentado desse processo, porque estou sendo acusado de uma série de mentiras", se defendeu Lula.

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O ex-presidente manteve, à Guaíba, a tese da narrativa do "golpe" ao comentar a saída de Dilma Rousseff para a entrada do peemedebista Michel Temer, então vice-presidente eleito na chapa de 2014. Temer tomou o poder em agosto do ano passado, quando o Senado Federal decretou o processo de impedimento da governante petista.

Além de ter criticado algumas das reforças propostas pelo governo Temer, como a trabalhista, por exemplo, Lula fez duras críticas à postura do líder do PMDB durante o processo de impeachment. O ex-presidente sentenciou que Temer "rasgou sua história como constitucionalista" ao apoiar um julgamento dessa natureza. Lula também relembrou uma tentativa de conversa que teve com o atual presidente, que não quis dar ouvidos. "Olha, se o Temer tivesse me ouvido, não teria acontecido o golpe".

Além de Lula, outros nomes despontam para o pleito de 2018. Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes, João Doria e Geraldo Alckmin são outras possibilidades.