Henrique Valadares, um dos delatores da empresa #Odebrecht, revelou que a construtora pagou propina para representantes da Central Única dos Trabalhadores (#CUT) e para índios, via caixa 2. De acordo com o delator, tribos indígenas recebiam depósitos em conta-corrente e eram identificados pelo codinome de "Tribo". Os pagamentos estavam ligados ao Projeto Madeira, onde a Odebrecht e Furnas teriam interesse na viabilização do complexo hidrelétrico Rio Madeira.

Foi delatado também repasses para o codinome identificado como "Barbudos", que são os representantes da CUT locais. O delator disse que a CUT chegou na região e se estabeleceu trazendo 25 mil homens numa obra.

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Para evitar greves e possíveis atos de violência, o sindicato cobrava pedágios mensais da empresa, como se fosse um tipo de propina para enriquecimento deles.

Segundo o delator, foram feitos pagamentos também para "Companheiro". Esse codinome era para diretores de sindicato, assim eles conseguiam impedir que os trabalhadores praticassem atos de vandalismo e depredação da obra, nas épocas em que eram feitas negociações trabalhistas.

Propina

O valor total de dinheiro irregular que foi pago no projeto da Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, foi de R$ 80 milhões. Esse dinheiro foi pago pela Odebrecht e Andrade Gutierrez. Mesmo sendo um projeto dominado pelo governo do PT, muitos outros partidos se aproveitaram da propina, como o PMDB, PSDB e PP.

A usina era um gigantesco projeto da Odebrecht que queria se tornar a maior geradora do país.

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O delator Alexandre de Alencar afirmou que a Odebrecht precisava ter boas relações com os sindicatos e isso envolvia até mesmo o patrocínio de eventos organizados por eles.

Paulinha da Força, representante da Força Sindical, chegou a receber R$ 200 mil de caixa dois para sua campanha a deputado federal. De acordo com Alencar, esse repasse foi necessário, porque a Odebrecht estava sofrendo com várias greves no Nordeste que eram organizadas pela Força Sindical.

A boa relação com a CUT e a Força Sindical só foi possível quando o dinheiro chegou até eles. As greves pararam e os atos violentos diminuíram.

Greve geral

A CUT organiza uma greve geral para o dia 28 de abril, na tentativa de atrapalhar o governo Michel Temer. A paralisação, segundo o sindicato, é uma forma de pressionar para o impedimento da aprovação da Reforma da Previdência. "Vamos às ruas e evitar que esse governo golpista consiga realizar seus objetivos", ressalta a CUT. #Lava Jato