O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação #Lava Jato, foi até a Universidade de Harvard, Boston, Estados Unidos, para participar da "Brazil Conference". Moro aproveitou o momento de seu pronunciamento para dizer que o caixa dois eleitoral que ocorre no Brasil é uma grande "trapaça" contra os eleitores. "Caixa 2 em eleições é trapaça, um crime contra a democracia".

Moro também comentou sobre o pacote do Ministério Público Federal (MPF), as dez medidas anticorrupção que causou grande polêmica entre os políticos. O juiz federal, notável por apurar casos de corrupção relacionado a políticos e empresários da alta sociedade brasileira, criticou ferozmente o Congresso Nacional, que manipulou e desmereceu o pacote de medidas, com o objetivo de diminuir a eficácia do projeto.

Publicidade
Publicidade

Sérgio Moro também acredita que falta o Parlamento ter mais ação positiva nos casos e lembra sobre a tentativa de anistia ao caixa dois eleitoral.

Sobre o projeto de lei sobre abuso de autoridade, Sérgio Moro não diz claramente que os parlamentares tem como objetivo tirar o poder de um juiz, mas ressalta que a lei tem que ser estudada de modo a fazer com que o juiz não tenha medo e se sinta livre para interpretar a lei de sua maneira.

'Não quero privilégio do foro'

O juiz Erik Navarro foi quem entrevistou Moro, questionando-o sobre o fim do foro privilegiado tanto para políticos como para magistrados, Sérgio Moro respondeu enfaticamente: "Eu não faço questão nenhuma de ter esse tipo de privilégio. Se for para suprimir dos parlamentares federais, acho justo que se suprima dos juízes federais". Parlamentares acharam um absurdo extinguir o foro privilegiado, e em contraposta buscaram colocar em vigor a lei de abuso de autoridade.

Publicidade

Juízes federais avaliam que a lei de abuso de autoridade seria uma espécie de "retaliação" a Operação Lava Jato, prejudicando o andamento e fazendo com que juízes tenham receio na hora de punir um político, algo que não pode, jamais, acontecer.

Sérgio Moro finalizou o discurso dizendo que Brasil deu passos "sérios e significativos" mesmo tendo apresentado em seu pronunciamento um lado com tantas revelações e "fatos vergonhosos".

A "Brazil Conference" também contou com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff, o ator Wagner Moura, Marina Silva, o filósofo de direita Olavo de Carvalho, o vereador Eduardo Suplicy, os ministros Gilmar Mendes e Luíz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). #SérgioMoro #EUA