O Planalto faz de tudo para que a reforma da Previdência seja votada o mais rápido possível no plenário da Câmara dos Deputados. Michel Temer e sua cúpula consideram de fundamental importância a aprovação quase que imediata da proposta para que as projeções feitas pelo governo sobre a reforma não sofram nenhuma distorção. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista nesta segunda-feira (10), a reforma da Previdência será votada no plenário da Câmara nas próximas semanas.

O ministro da Fazendo afirmou que o relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), irá encaminhar na próxima semana seu relatório a Comissão Especial da Previdência, para que assim possa ser discutido e posteriormente deliberado para que o plenário da Casa Legislativa vote a proposta.

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Meirelles também demonstrou sua opinião sobre o risco que a proposta corre de sofrer diversas alterações e emendas feitas pelos deputados. Já foram propostas mais de 120 emendas só na Câmara. Segundo o ministro, após o relatório do deputado Arthur Maia ser encaminhado para votação final, "quanto menos se mexer [no texto] melhor”.

E o ministro concluiu dizendo que a aprovação da reforma da Previdência esse ano é uma questão de "necessidade", não de opinião.

Manobra governista

O desespero de Michel Temer para aprovar a reforma da Previdência o mais rápido possível no Congresso o fez adotar uma abordagem inédita no Legislativo nacional. Temer determinou que três senadores governistas acompanhem de perto os trabalhos dos deputados e da Comissão Especial da Previdência. O objetivo é fazer com que o texto aprovado na Câmara, que será encaminhado ao Senado, seja acordado com um grupo de senadores e capaz de ser aprovado sem muitas discussões.

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“O objetivo é negociar antecipadamente para quando a emenda chegar ao Senado já ter superado as primeiras dificuldades”, disse o aliado de Eduardo Cunha, Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da Comissão Especial.

O Planalto ainda deseja que um dos três senadores que estará acompanhando os trabalhos finais da tramitação da reforma na Câmara seja o relator ou presidente da Comissão Especial do Senado que, segundo o regimento interno, precisa ser criada para se discutir a proposta naquela Casa Legislativa.

Essa manobra do governo Temer de representantes de uma casa acompanhar e poder sugerir mudanças no texto que está tramitando na outra casa não está prevista em nenhum dos regimentos internos, nem da Câmara, tampouco do Senado. Isso mostra o receio que o governo está da polêmica reforma não ser aprovada.

Até governistas são contra

O medo de ser derrotado na votação no plenário da Câmara por parte de Temer é tão grande que ele reuniu líderes e ministros representantes de partidos aliados na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para pedir que eles fechem questão no voto a favor da reforma com os parlamentares contrários a proposta e punam os dissidentes.

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Essa reunião foi convocada após uma forte entrevista concedida pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos mais influentes parlamentares do Democratas. Dentro do partido, que faz parte da base aliada de Temer, com uma bancada de 29 deputados, existem diversos dissidentes, mas o número ainda não é fechado.

No PPS, que ocupa dois ministérios do governo Temer, todos os deputados são contrários a reforma de Temer. Já no PTB, dos 17 deputados, apenas três se mostraram favoráveis a reforma.

"Agora teremos que carimbar o deputado que apoia o governo e os que vão nos trair”, disse o deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS).

Muito ainda deve ser articulado antes do dia da votação. #Dentro da política