O juiz de primeira instância, Sérgio Moro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vêm travando batalhas pela imprensa e judicialmente há alguns meses. Foram muitos os embates, respostas, réplicas e tréplicas envolvendo os dois. São acusações de ambas as partes, ações e retaliações tentando um atrapalhar a vida do outro. Enquanto a defesa de Lula entra com medidas contra as decisões do juiz, Moro tenta arrancar ao máximo alguma prova que incrimine de fato Lula para conseguir prendê-lo.

Com embate inicialmente marcado para o próximo dia 3 de maio, nesta segunda-feira (24), a pedido da Polícia Federal, o juiz Sérgio Moro resolveu adiar o depoimento de Lula em Curitiba em uma semana, para o próximo dia 10 de maio.

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O PT organiza uma manifestação que pretende juntar cerca de 50 mil militantes em frente ao prédio da Justiça em Curitiba onde Lula irá se encontrar com Moro. A PF argumentou que possivelmente não teria como organizar a segurança do ato e solicitou que o depoimento fosse adiado, para que tivesse mais tempo para preparar o esquema de segurança da manifestação.

Relembre os principais pontos de discordância entre o juiz de primeira instância e o ex-presidente da República:

Condução coercitiva

Um dos primeiros "desentendimentos" entre Lula e Moro se deu em março de 2016, quando Lula foi levado a depor coercitivamente após um mandato do juiz da Vara de Curitiba. O fato ocorreu durante a 24ª fase da Operação Lava Jato. À época, Lula afirmou que se sentiu um prisioneiro e chamou a decisão de Moro de "um show, um espetáculo de pirotecnia".

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Defendendo sua decisão, Sérgio Moro afirmou que determinou o mandato de condução coercitiva para que não houvesse um tumulto caso fosse marcada uma data e local para o depoimento de Lula.

Grampos telefônicos e divulgação à imprensa

O juiz determinou o grampo telefônico de Lula, o que acabou captando de forma ilegal uma conversa entre o ex-presidente e a presidente à época, Dilma Rousseff. As escutas telefônicas foram ordenadas por Sérgio Moro, porém, uma ordem judicial determinou a interrupção das escutas. A conversa entre os ex-presidentes foi gravada após a determinação da Justiça de interromper o grampo.

O conteúdo captado ilegalmente pela Polícia Federal foi vazado e divulgado pelo Jornal Nacional horas depois. Ao ser questionado pelo ex-relator da Lava Jato, Teori Zavascki, Sérgio Moro simplesmente pediu desculpas e justificou dizendo que não teve nenhum objetivo "político partidário".

A defesa de Lula chegou a pedir a prisão de Sérgio Moro por abuso de autoridade. O STF negou a solicitação dos advogados do ex-presidente.

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"Amizade" entre Aécio e Lula

Uma foto sorridente entre o juiz da Lava Jato e o senador líder de inquéritos abertos por Fachin na Lava Jato causou embaraço a Moro e deu argumento a Lula. No dia 6 de dezembro de 2016, o jornalista da Folhapress Diego Padgurschi registrou uma conversa ao pé do ouvido e regada a risadas por parte de Moro e Aécio Neves durante a premiação "Brasileiro do Ano".

A defesa de Lula apresentou a foto e outros recortes jornalísticos em uma ação contra Moro afirmando que o mesmo julga de maneira tendenciosa.

Para se defender, o juiz de primeira instância afirmou que a foto foi "infeliz". E completou dizendo que os inquéritos envolvendo Aécio Neves - 5 somente após as delações da Odebrecht, sendo o líder de acusações - não serão julgadas por ele por conta do Foro Privilegiado do senador.

Bate-bocas

Já foram inúmeros os bate-bocas entre advogados de defesa e o juiz Sérgio Moro. Ambos os lados já acusaram e foram acusado de diversas atos, desde interferências, propaganda política e "inquisidor". #Dentro da política