Quando ocorreu a votação do afastamento da ex-presidente Dilma na Câmara dos Deputados, à época presidida por ninguém mais, ninguém menos do que o ex-deputado presidiário, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), muitos afirmaram que os deputados não possuíam ética ou moral para tirar do cargo um presidente que havia sido eleito pelo povo.

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Se os inúmeros deputados investigados e as denúncias à época não fossem suficientes, após a divulgação das delações dos ex-executivos da Odebrecht e a lista do ministro relator da Lava Jato, no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, é importante relembrar como votaram os deputados citados..

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No dia 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados resolveu afastar do cargo de presidente da República Dilma Rousseff com o argumento de que a petista tinha cometido as tão famosas e comentadas pedalas fiscais. Foram 367 votos a favor do afastamento contra 137 contrários. Dos deputados que votaram, 36 foram citados pelos delatores da Odebrecht. Desses, 21 votaram a favor do pedido, 13 contra e dois se abstiveram.

Ao microfone, em uma sessão que foi transmitida para todo Brasil pelas redes de televisão e que teve ampla cobertura da mídia, os deputados davam seus votos e homenageavam filhos, esposas, mães, pais, amigos e por aí vai. Mas algo mais era dito pelos deputados em seu momento de glória: o discurso anti-corrupção.

Quem não lembra da deputada Raquel Muniz (PSD/MG), que saudou seu marido, prefeito de Montes Claros, Ruy Andrade Borges Muniz (PSB/MG), ao afirmar que ele era um exemplo de gestão para o Brasil. No dia seguinte, o prefeito foi preso pela Polícia Federal por fraude no Sistema de Saúde. A deputada votou pelo afastamento de Dilma.

Outro exemplo de deputado, agora um que compõe a lista de inquéritos abertos por Fachin, é Paulinho da Força (SD-SP).

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Ex-integrante do PT, Paulinho da Força era o braço direito de Eduardo Cunha enquanto o agora presidiário ocupada o cargo de presidente da Câmara. Ao microfone, quando foi proferir seu voto sim pelo afastamento da presidente Dilma, o deputado do Solidariedade disse que estava votando para acabar com a "boquinha do PT". Paulinho da Força responde a dois inquéritos abertos após delação da Odebrecht em que é acusado de receber pagamento de Caixa 2 no valor de R$ 1 milhão na eleição de 2014 para deputado. A segunda denúncia é de doação irregular no valor de R$ 700 mil.

Mas os aliados da ex-presidente Dilma também não ficam atrás. O deputado Vicentinho (PT-SP), ao declarar seu voto contrário ao afastamento de Dilma, afirmou não ser corrupto, não fazer conchavo, nem ser traidor ou oportunista. O petista de São Paulo é acusado de falsidade ideológica por ter recebido R$ 30 mil da Odebrecht na campanha eleitoral de 2010.

Veja como foi o voto de cada um dos deputados citados:

Favoráveis ao impeachment

Alfredo Nascimento (PR-AM)

Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

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Betinho Gomes (PSDB-PE)

Beto Mansur (PRB-SP)

Celso Russomanno (PRB-SP)

Daniel Vilela (PMDB-GO)

Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

Fábio Faria (PSD-RN)

Heráclito Fortes (PSB-PI)

João Paulo Papa (PSDB-SP)

José Carlos Aleluia (DEM-BA)

José Reinaldo (PSB-MA)

Júlio Lopes (PP-RJ)

Jutahy Júnior (PSDB-BA)

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)

Milton Monti (PR-SP)

Onyx Lorenzoni (DEM-RS)

Paulinho da Força (SD-SP)

Pedro Paulo (PMDB-RJ)

Rodrigo Garcia (DEM-SP)

Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Contrários ao impeachment da ex-presidente Dilma

Antônio Brito (PSD-BA)

Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Carlos Zarattini (PT-SP)

Daniel Almeida (PCdoB-BA)

Décio Lima (PT-SC)

João Carlos Bacelar (PR-BA)

Marco Maia (PT-RS)

Maria do Rosário (PT-RS)

Vander Loubet (PT-MS)

Vicente "Vicentinho" Paulo da Silva (PT-SP)

Vicente Cândido (PT-SP)

Zeca Dirceu (PT-PR)

Zeca do PT (PT-MS) #Dentro da política