Durante um evento onde Jair Bolsonaro se encontrava, em determinado momento, um dos locutores que estava sobre um carro de som iniciou um debate sobre o Projeto de #lei n° 288/2013, de iniciativa do Senador licenciado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ex-motorista de Carlos Marighella (político, guerrilheiro e escritor brasileiro, sendo considerado o "inimigo n° 1" da ditadura militar, em meados da década de 60) e que foi nomeado pelo Presidente Michel Temer como Ministro das Relações Exteriores, após o pedido de afastamento do ex-ministro José Serra por motivo de saúde.

O locutor questiona Bolsonaro sobre o PL do Migrante, afirmando que a lei, se aprovada, "usurparia a soberania brasileira", pois "abriria fronteiras" nacionais, além de perguntar qual a opinião do político sobre isso e como o projeto poderia ser barrado.

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Ainda, o comentarista deu a entender que o projeto era de autoria do "ex-motorista Marighella", o qual adjetivou como "terrorista", ao se referir ao atual Ministro Aloysio Nunes Ferreira.

Tomando a palavra, Bolsonaro informa a todos que o PL já havia sido aprovado pelo Congresso Nacional e que aguardava decisão por parte do Presidente para que pudesse entrar em vigência. Salientou, ainda, que o Senador licenciado Aloysio Nunes estava no Itamaraty. Momentos depois, Bolsonaro explicou que o PL realmente "abre as fronteiras do Brasil" e que se "viesse um navio com centenas de imigrantes" todos eles teriam mais direitos do que os brasileiros, como acesso ao SUS, PROUNI, Bolsa Família, dentre outros. Menciona, por fim, que existe um projeto de autoria de político do PT que autoriza o imigrante a votar.

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Enquanto falava, um taxista parou com o carro ao lado de um carro de som e fez uma pergunta sobre o UBER. Assim, Bolsonaro pediu para que ele descesse do carro que ele responderia a pergunta. Nesse momento, as pessoas começaram a gritar "DESCE, DESCE!" e o taxista arrancou o veículo e foi embora.

Depois, Bolsonaro disse que "não estava ali para agradar ninguém" e voltou a discutir sobre o polêmico PL, aduzindo que o Brasil viraria a "casa da mãe Joana" se a lei foi sancionada e que os brasileiros teriam que conviver com situações que envolvem outras culturas, como em lugares da África, onde homens casam com meninas de 10 anos de idade.

Lei de Migração

O Projeto que trata da Lei de Migração foi aprovado no Senado Federal em 18 de abril de 2017 e agora tramita para sanção ou veto presidencial, foi elaborado com o objetivo de substituir o Estatuto do Estrangeiro (Lei n° 6815/1980), vigente desde o regime militar.

Segundo o Relator do Projeto, Tasso Jereissati (PSDB-CE), a antiga lei precisava ser atualizada, pois via a figura do migrante ou do visitante como alguém que deveria obrigatoriamente trazer quaisquer vantagens econômicas para o Brasil (mas sem qualquer contrapartida).

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Polêmica

O projeto é considerado polêmico, pois trata de temas como a liberdade para que os povos indígenas transitem por fronteiras, o que foi visto como negativo por parte de alguns senadores, que afirmaram que isso ensejaria o aumento de tráfico de drogas entre o Brasil e os países vizinhos, como Colômbia e Paraguai.

Há, ainda, inclusões como o protecionismo do mercado de trabalho brasileiro, dando prioridade aos nacionais, o que também foi objeto de críticas e muitos outros dispositivos sobre o tema. #migração