Uma semana depois de conceder uma polêmica entrevista à TV Bandeirantes, o presidente Michel #Temer voltou a estar em rede nacional neste domingo, dessa vez no SBT, para comentar o episódio em que o então condutor da Câmara dos Deputados, Eduardo #cunha, ainda no final de 2015, resolve aceitar um pedido de impeachment de Dilma Rousseff. À Band, Temer admitiu que Cunha havia procedido dessa forma em represália ao Partido dos Trabalhadores (PT), que lhe negou três votos determinantes dentro do Conselho de Ética.

As declarações do presidente aos jornalistas da Bandeirantes causaram polêmica e inclusive tiveram impacto na defesa de Dilma Rousseff, que preparou uma petição ao STF para incluir a "confissão" de Temer ao processo do impeachment.

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Na avaliação de José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, Advogado-Geral da União e responsável pela defesa de Dilma, a fala do peemedebista comprovou a tese da nulidade do impedimento.

Ao SBT, Michel Temer confirmou o que havia dito na entrevista da semana passada e relembrou a ligação que recebeu de Cunha um dia antes da abertura do processo. Só que, desta vez, o presidente salientou que, em sua análise, o processo de impeachment tinha grandes chances de ocorrer mesmo que Cunha não aceitasse os pedidos.

"Evidentemente, penso que não (se pode anular o impeachment). Mas eu também quero dizer que aí houve um plano muito subjetivo do Eduardo Cunha. Ele me disse que iria anular os pedidos de impeachment em troca dos três votos que eram do interesse dele. No dia seguinte, o PT disse que não votaria a favor dele, e ele chamou a imprensa para decretar a abertura do processo do impeachment", disse Temer, ao SBT, antes de completar:

"Pelo regimento interno da Câmara, se o presidente indeferir um pedido de impedimento, há recurso para o plenário.

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Com a margem grande e significativa que teve esse processo, evidentemente se isso acontecesse, iria novamente para o plenário e ocorreria o impedimento".

Na sequência, Temer indica que o "clima" já levava para o impedimento de Dilma ainda que Cunha se posicionasse de maneira contrária aos pedidos que chegavam à mesa. Para reforçar sua tese, o peemedebista lembra as expressivas votações pró-impeachment dentro do plenário da Câmara dos Deputados e, na sequência, no Senado Federal. Oficialmente, Dilma foi destituída do cargo em agosto de 2016.

"O clima era para levar ao impedimento (...) Se foi vingança (do Eduardo Cunha), não foi por essa ótica que decidiu a Câmara e o Senado Federal. Que ambos tiveram votações avassaladoras. Portanto, se é que havia uma subjetividade da decisão dele, isso não ocorreu no plenário da Câmara e do Senado. É interessante, que tanto a condução na Câmara quanto no Senado, foram avalizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)", frisou Temer.

Na época em que o pedido de impeachment de Dilma foi aceito, Eduardo Cunha estava em vias de ser julgado pelo Conselho de Ética da Câmara, que apurava mentiras do peemedebista sobre contas na Suíça, o que configurava quebra de decoro parlamentar.

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O presidente da Câmara articulava com seus aliados parlamentares a obtenção de votos importantes do PT a seu favor, o que acabou não acontecendo.

Dilma Rousseff teve o seu mandato oficialmente cassado em 31 de agosto de 2016, quando o Senado Federal votou em maioria a favor do seu afastamento definitivo. A partir de então, Michel Temer se tornou o novo presidente da República. Já Eduardo Cunha acabou perdendo o seu mandato em 12 de setembro do mesmo, com expressiva votação dentro do plenário da Câmara, que teve 450 votos a favor do afastamento do peemedebista.