Faltando um ano e meio para as eleições presidenciais, o Brasil vive um cenário político incerto. O governo comandado por Michel Temer, que sucedeu a gestão impedida de Dilma Rousseff, sofre com a impopularidade e já tem 55% de rejeição entre os brasileiros - segundo pesquisa Ibope recente encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em paralelo às ações do atual governo, Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, ensaia um retorno triunfante para reacender a esperança da esquerda brasileira. A outra via atende pelo nome do sempre polêmico Jair Bolsonaro, capaz de agrupar forças entre os conservadores e os eleitores saudosos do regime militar.

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Ciente do instável panorama da política brasileira, #adeli sell, tradicional membro do quadro do #Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Sul e atual vereador de Porto Alegre, capital do estado, prega a importância da candidatura e do eventual retorno de Lula à cadeira mais importante do Executivo. Para Sell, que ajudou a difundir o PT entre os gaúchos na década de 80, a volta do ex-presidente poderia representar a retomada da "geração de trabalho e renda".

"Vejo a possibilidade da candidatura de Lula de forma natural. Ele pode e deve ser candidato porque mostrou alto nível de articulação interna à nação e também pelo mundo afora. Sua política desenvolvimentista deve ser ampliada, pois somente pela geração de trabalho e renda que uma nação consegue se desenvolver", declarou o político, em entrevista exclusiva concedida à Blasting News Brasil.

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Lula já é considerado pela grande mídia um pré-candidato à presidência da República e conta com apoio de artistas e intelectuais, que, no mês passado, criaram um manifesto online para recolher assinaturas em prol de sua candidatura. Nomes como o teólogo Leonardo Boff e o músico Chico Buarque encabeçaram a iniciativa.

Em março, Lula admitiu sua intenção de se tornar candidato e o PT não trabalha com um plano B para o caso de o ex-presidente, por exemplo, ser condenado em segunda instância, virar ficha-suja e não poder concorrer. Atualmente, ele é alvo de cinco ações penais, três delas no âmbito da Operação Lava Jato.

Para Adeli, governo Temer é "ilegal"

Sell, que por duas gestões integrou o Diretório Nacional do PT, segue fiel ao discurso do seu partido e não reconhece como legítimo o governo Temer. Vice-candidato em 2014 na chapa de Dilma Rousseff, o peemedebista chegou ao poder após a consumação do impeachment de Dilma no Senado Federal, em agosto do ano passado.

Ao mesmo tempo em que critica o modo como Temer chegou ao poder, o petista gaúcho faz duras críticas à condução do governo, como por exemplo a insistência na reforma da Previdência - Temer chegou a dizer, na semana passada, que o Brasil vai paralisar em sete anos se ela não ocorrer.

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"O governo Temer é ilegal, fruto de um golpe midiático e judicial. A reforma da Previdência proposta é uma afronta às duras e longas conquistas dos trabalhadores do campo e da cidade. Os benefícios conquistados pelos colonos, lavoureiros, trabalhadores rurais, especialmente os chamados pequenos agricultores são, na verdade, benefícios sociais e assistenciais, na medida que estes não haviam contribuído para o sistema previdenciário", comenta.

A atual proposta de reforma do Planalto prevê a aposentadoria com idade mínima de 65 anos e contribuição de 25 anos de tempo de contribuição para que homens e mulheres se aposentem. Isso valeria também para os agricultores. Embora ainda haja muita discussão na Câmara sobre a matéria, Sell condena as possíveis mudanças.

"A Previdência deve continuar combinando idade com tempo de serviço, mas depois de determinada idade, a pessoa tem que ter o mínimo garantido, pois a população brasileira ainda tem trabalhos duros, que não se suporta depois de uma certa idade", finalizou.