O delator da Odebrecht Claudio Melo Filho relatou um fato inusitado que aconteceu na noite de 19 de agosto de 2013. O ex-diretor da #Odebrecht recebeu uma ligação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha, perguntando se ele estaria em casa, pois precisava falar com ele..

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Cunha chegou na casa do delator às 0h45m da madrugada do dia 20. Como prova desse encontro, Melo afirmou aos investigadores que tinha um e-mail dele para o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht relatando o caso. No e-mail, Melo demonstra espanto com o horário da visita de Cunha e cita, em tom de brincadeira, uma desconfiança da sua mulher: "Dona Claudia quase me mata!!!", comenta no e-mail o ex-diretor.

Claudia é o nome da esposa de Claudio Melo, que por coincidência, é o mesmo nome da mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz.

Pedido de Cunha

O delator falou em detalhes o que o ex-deputado queria na sua casa. De acordo com ele, Cunha pediu a Melo para que o apresentasse ao presidente da Odebrecht Agroindustrial. Na época, era discutido na Câmara a Medida Provisória (MP) 613, que prejudicava a produção de açúcar e álcool, cujo setor estava sob o comando da Odebrecht.

A procuradora Melina Montoya Flores, que foi a responsável em ouvir o depoimento de Melo, achou esquisito o horário (madrugada) de Cunha querer saber essas informações. Segundo o ex-diretor da Odebrecht, nesse dia só foi conversado sobre isso.

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"Cunha queria se aproximar do presidente da Odebrecht Agroindustrial".

Melo afirmou que também achou estranho Cunha ir procurá-lo já que os dois não possuíam muita intimidade. Por essa razão, o delator disse que no e-mail colocou para o Marcelo: "Pode imaginar isso? Cunha vir aqui a essa hora!!

Susto

Melo revelou à procuradora que ficou um pouco apreensivo com a visita "fora de hora" do ex-deputado. A sua mulher também não gostou disso. "Nós pensamos que alguma coisa grave havia acontecido", disse o delator.

Melo acredita que a visita de Cunha em carácter urgente era porque a votação da Medida estava próxima e ele precisava do contato da Odebrecht Agroindustrial.

A delação do ex-diretor da empreiteira faz parte do inquérito 6807, que investiga repasses de caixa dois da Odebrecht para Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara é acusado de receber milhões em propina. Através de seu advogado, Cunha nega qualquer irregularidade apontada pelos delatores.

Melo disse que o peemedebista recebeu R$ 7 milhões e o outro delator Fernando Reis fala em mais R$ 3 milhões dado a ele.