As delações da #JBS continuam revelando fatos estarrecedores sobre os bastidores da política brasileira. Desta vez as informações são da delação de Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Internacionais da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Ele disse aos procuradores da operação Lava Jato que pagou propina a 1.829 políticos. Os pagamentos envolvem 28 dos 35 partidos registrados atualmente. O valor total distribuído se aproxima dos R$ 600 milhões e, segundo o delator, apenas R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões não eram propina. Graças a esse montante foram eleitos 179 deputados estaduais, 167 deputados federais, 28 senadores e 16 governadores.

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Ainda, segundo Saud, foram beneficiados quatro governadores eleitos pelo PMDB, quatro do PSDB, três do #PT, dois do PSB, um do PP e um do PSD. Ele disse ter feito um estudo por conta própria para contabilizar todas as pessoas que receberam propina de forma direta ou indireta e que os beneficiados sabiam que o dinheiro era de origem ilícita. Além disso, entregou aos investigadores a listagem com valores, cargos e partidos dos envolvidos.

Ministro de Temer vendeu apoio ao PT

Em seu depoimento, Ricardo Saud falou sobre Gilberto #Kassab e afirmou que o atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações vendeu apoio político ao PT por R$ 7 milhões. O dinheiro foi utilizado para bancar a campanha de Kassab ao senado, além de auxiliar políticos do PSD, que foi fundado por ele em 2011.

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Entre esses políticos estão o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, e seu filho, o deputado federal Fábio Faria.

Kassab desviou propina do próprio partido

Um fato curioso foi revelado pelo ex-diretor da JBS. Kassab teria desviado parte da propina paga ao PSD. Segundo o relato, o partido receberia R$ 20 milhões para apoiar o PT na campanha de Dilma Rousseff, em 2014. Porém, Kassab solicitou que parte deste valor (R$ 6 milhões) fosse destinado a ele próprio. O pagamento teria sido feito através de notas frias emitidas pela empresa do irmão do ministro, a Yape Consultoria

O ministro Gilberto Kassab divulgou nota em resposta às acusações de Saud. Ele disse que apoia as operações de investigação. Além disso, negou ter recebido propina e disse que todas as doações ao partido foram devidamente registradas. Sobre as eleições de 2014, Kassab afirmou que não houve negociação do partido" e que "sempre pautou sua conduta pelo cumprimento à legislação.