O cenário da política brasileira parece mesmo seguir uma ordem cronológica como se fosse uma série internacional. Na terça-feira (16), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou, para o próximo dia 6 de junho, a retomada do julgamento da chapa Dilma-Temer que pode culminar com a cassação do peemedebista da presidência da República. No dia seguinte, quarta-feira (17), Lauro Jardim, do O Globo, deu com exclusividade a bomba que explodiu na cara do Planalto com a delação da JBS. Agora, oposição e aliados aguardam o próximo capítulo, mas já articulam e conjecturam possíveis desfechos para o caso.

Desde que foi divulgada a delação da JBS até o dia do julgamento, cerca de 20 dias serão decorridos.

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Na análise de parlamentares da base aliada, com a iminente cassação de Michel Temer, esse prazo é suficiente para se costurar acordos em uma eleição indireta no Congresso Nacional. Alguns nomes já vem sendo cogitados desde a semana, tamanha certeza da não permanência do peemedebista à frente do Executivo.

Aliados também tentaram convencer Michel Temer a renunciar desde que foram divulgadas as informações sobre a delação da JBS. O peemedebista já refutou essa hipótese em diversas reuniões e em declarações à imprensa. Surgiu a informação semana passada que uma cassação via Tribunal Superior Eleitoral seria uma "saída honrosa" do governo. O que também já foi negado.

Essa postura é a mesma adotada por seus assessores no Planalto, que seguem sustentando que Temer irá até as últimas consequências após a já esperada cassação da chapa.

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Ou seja, depois de cassado, Temer deverá acionar o STF na esperança de permanecer no cargo. Vale ressaltar que a ex-presidente Dilma também entrou com pedido no Supremo para anular o impeachment e até agora, mais de um ano depois, continua esperando.

Aliados, mas nem tanto

O PSDB é a principal base de sustentação do governo de Michel Temer desde que assumiu. Vindo de seguidas derrotas pela presidência, desde 2002, os tucanos aproveitaram a queda do PT para voltar ao poder. No primeiro momento, após a divulgação da delação da JBS, tudo sinalizava para o desembarque tucano do governo, porém, o novo presidente nacional do partido, Tasso Jereissati (CE), que entrou após o afastamento de Aécio Neves (MG), definiu que iria esperar o julgamento da chapa no TSE. Ou seja, não importa muito o que foi divulgado, para o PSDB, só é relevante se Temer estará ou não no poder. Se continuar, o partido estará ao seu lado. Se não, lhe dará as costas.

O nome do próprio senador Tasso Jereissati é visto com bons olhos pelo PSDB para disputar uma provável eleição indireta no Congresso.

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Inclusive, a informação foi confirmada por Geraldo Alckmin na última semana em entrevista no Palácio dos Bandeirantes. "Os dois grandes nomes são o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati", disse o governador de São Paulo.

Segundo reportagem do UOL, um assessor de Michel Temer ironizou a possível traição do PSDB com números. Após afirmar que o PMDB tem a maior bancada do Congresso, 22 senadores e 63 deputados, questionou: "Será que o PSDB realmente vai querer enfrentar essa disputa?"

Impeachment não é a melhor saída

A oposição faz seu papel de apresentar pedidos de impeachment e gritar por eles, tendo imenso apoio popular e até da Ordem dos Advogados no Brasil (OAB), que na quinta-feira (25) protocolou seu pedido de impeachment, porém sabe que não será por esse meio que Temer irá cair. Com um presidente da Câmara fiel, sendo ele o único responsável por aceitar ou não o impeachment, a oposição conta os dias para a chegada do dia 6 de junho e a possível cassação de Temer. #Dentro da política