Com aproximadamente 50 minutos de atraso diante do horário que estava previsto, Michel #Temer iniciou o seu pronunciamento na tarde deste sábado - o segundo só nesta semana -, mais uma vez para se defender das graves acusações do empresário da JBS, Joesley Batista, com quem Temer se encontrou ainda no mês de março para tratar de diferentes assuntos do meio político.

A acusação mais grave feita por Batista é que o presidente teria dado a sua anuência para seguir enviando uma mesada a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e cassado por corrupção, para comprar o seu silêncio. "Tem que manter isso, viu", diz Temer a Joesley, quando este frisa que está mantendo uma boa relação com Cunha.

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A notícia surgiu como uma bomba na noite de quarta-feira, o que obrigou Temer a se manifestar oficialmente na quinta. Naquela ocasião, mostrou enorme irritação e, com tom elevado, negou todas as acusações em um pronunciamento de apenas cinco minutos. Declarou que não iria renunciar e que jamais permitiu que alguém usasse o seu nome sem permissão.

Já neste sábado, o peemedebista demonstrou mais calma, tom de voz mais ameno e tranquilidade para explicar as acusações. Disse que irá ao STF tentar barrar o inquérito em que é investigado e fez duríssimas críticas ao empresário Joesley Batista, ainda ironizando o fato de ele atualmente viver nos Estados Unidos sem ter estado jamais na prisão.

Temer ainda questionou a total veracidade do áudio gravado por Batista no encontro em março. Ele citou uma matéria do jornal Folha de São Paulo, em que alega que edições haviam sido feitas na gravação.

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Mais uma vez, voltou a garantir que, em hipótese alguma, pedirá renúncia do cargo. Veja abaixo os principais trechos do pronunciamento de Temer neste sábado:

Gravação

"Essa gravação apresentada é clandestina, como se diz. Contém trechos adulterados e manipulados, com objetivos totalmente subterrâneos. Acabou sendo incluída no inquérito sem a menor averiguação, enganando inúmeras pessoas e pondo o Brasil em crise".

Joesley

"Quem fez esse grampo ilegal está livre e solto pelas ruas de Nova York, nos Estados Unidos. Sou obrigado a reconhecer, agora, que o Brasil, que se recuperava da mais grave crise econômica, vive dias de incerteza. Ele não passou nenhum dia na cadeia, não foi punido e pelo visto não será".

Compra de silêncio

"Quero aqui lembrar da questão que diz que dei aval para a compra do silêncio de um deputado. Não há isso na gravação, nem mesmo com ela adulterada. Jamais comprei silêncio de alguém".

JBS

"Antes de sair essa gravação, esse empresário comprou 1 milhão de dólares porque já sabia do caos que haveria no câmbio.

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Vendeu ações de sua empresa, sabendo que elas despencariam. A Comissão de Valores Mobiliários já está averiguando isso. A JBS lucrou milhões e milhões em um pequeno espaço de 24 horas".

Críticos

"Eu já sei que há aqueles que querem me tirar do governo, que querem me ver fora da presidência. Mas querem me tirar para retornarem com tempos antigos em que se fazia tudo com o dinheiro público, sem prestação de contas a ninguém. São essas pessoas que quebraram o Brasil e ficaram ricas".

Inquérito

"Nós vamos ao Supremo Tribunal Federal na tentativa de suspender esse inquérito a partir de um áudio fraudulento. Saiu hoje uma reportagem no jornal Folha de São Paulo que mostra que peritos confirmaram inúmeros edições nesta gravação que veio à tona nesta semana".

Renúncia

"Posso afirmar a vocês com toda a segurança possível que o Brasil não vai sair dos trilhos neste momento. Não vou renunciar. Eu continuarei na presidência e continuarei à frente do governo".