Um dos momentos mais aguardados na cena política brasileira ocorre nesta quarta-feira (10). A partir das 14h, no prédio da Justiça Federal, em Curitiba, Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, concederá o seu depoimento ao juiz federal Sérgio #Moro, principal responsável pelas investigações da Operação Lava-Jato, que vasculha um esquema de corrupção envolvendo recursos da Petrobras em prol de partidos políticos.

Esta será a primeira vez, desde o início da investigação, que o líder da esquerda brasileira ficará frente a frente com Moro. Lula prestará o último depoimento dentro do processo em que é acusado de receber propina da empreiteira OAS, que teria realizado a reforma triplex no edifício Solaris, no Guarujá, em São Paulo, em 2009.

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Também está em pauta o armazenamento de bens de Lula desde que deixou a presidência, em janeiro de 2011.

Desde o primeiro momento, a defesa do ex-presidente Lula nega qualquer tipo de ação ilícita em ambos os casos. Os advogados do petista - e o próprio - negam que a propriedade do apartamento do Guarujá fosse dele. Eles garantem que Lula nem mesmo utilizou o triplex. No que diz respeito ao acervo presidencial, a alegação de defesa é que a OAS, ao custear a guarda dos objetos, realizou um "apoio cultural" e que o objetivo era angariar um espaço para expor publicamente o conteúdo do acervo.

O depoimento de Lula ocorre depois que Léo Pinheiro, amigo pessoal do ex-presidente e ex-dirigente da OAS, afirmou em delação que o triplex pertencia de fato ao petista, apesar da documentação apontar que o imóvel estava no nome da empreiteira.

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Naturalmente, a defesa de Lula negou as acusações do empresário.

Frente a frente, será a "primeira vez" de Lula e Sérgio Moro. Mas ambos já conversaram. O primeiro diálogo foi em 30 de novembro do ano passado, quando o líder do PT depôs como testemunha de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e atualmente preso por corrupção. Houve um tom cordial na conversa por videoconferência, com Lula na Justiça Federal de São Bernardo, em São Paulo, e Moro em seu habitual reduto jurídico, em Curitiba.

Por conta de todo o clima de apelo popular, de ambos os lados, que envolve o interrogatório desta quarta-feira, um forte aparto de segurança foi montado pelas autoridades de Curitiba. Há, por exemplo, a previsão de isolamento no centro e na região do Centro Cívico, respectivamente, para separar os grupos a favor e contra Lula. Estão também sendo revistados todos os ônibus que chegam à cidade reunindo pessoas para apoiar e acompanhar "de perto" o depoimento - armas brancas foram apreendidas pela Polícia Federal junto à condução de um grupo do Movimento Sem-Terra (MST) nesta terça.

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Defesa tenta suspender depoimento, mas não consegue

A defesa de Lula tentou suspender o depoimento desta quarta-feira, alegando prejuízo por haver juntada de documentos pela Petrobras nas semanas passadas. Os advogados solicitaram mais tempo para poder analisar a papelada. No entanto, o juiz federal Nivaldo Brunoni, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), localizado em Porto Alegre, rejeitou o habeas corpus apresentado e manteve o interrogatório para o dia 10.

No seu despacho, Brunoni justificou que toda a rotina do Poder Judiciário de Curitiba foi alterado por conta do clamor público sobre o depoimento de Lula. "Medidas excepcionais foram tomadas para conter tumulto e garantir a segurança nos arredores do fórum", citou o magistrado, que lembrou que essas ações mobilizaram vários órgãos do Paraná.

Essa não foi a única derrota da equipe de Lula um dia antes do depoimento. Brunoni também rejeitou o pedido da defesa de enviar uma equipe para gravar o depoimento ao juiz Sérgio Moro. O magistrado, além de negar a solicitação, ainda a considerou "inusitada".