O comandante máximo do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, externou o clima de "apreensão" e de grande preocupação das Forças Armadas, com base na grave crise política enfrentada pelo país, principalmente, em relação à divulgação de trechos de conteúdo do acordo de delação premiada de Joesley Batista, dono da empresa JBS.

O acordo de colaboração premiada do empresário goiano foi selado juntamente à Procuradoria-Geral da República e homologado no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Luiz Edson Fachin e envolveu diretamente o presidente da República, Michel Temer, em se tratando de tentativa de "compra" do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

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Clima de consternação

Nesta quarta-feira (24), o comandante máximo do Exército, general Villas Bôas, afirmou que há um "clima de preocupação, consternação e choque", nas tropas. O general foi ainda mais longe em sua análise ao afirmar que "há muita incerteza e insegurança, até que as coisas se definam", ressaltou em uma palestra realizada em São Paulo, sobre "defesa nacional". Vale lembrar que o general estava ao lado do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que também participou do evento na capital paulista.

O militar chegou a comentar sobre os confrontos ocorridos nesta quarta-feira em Brasília entre policiais e manifestantes e assegurou que o Exército irá respeitar a Constituição Federal e a democracia, em se tratando do decreto de autorização do presidente Michel Temer, em utilizar as tropas das Forças Armadas para resguardar a Lei e a Ordem no Distrito Federal, a partir de hoje até o dia 31 de maio.

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O general foi enfático ao relatar que os recentes acontecimentos que envolvem o presidente da República, Michel Temer, contribuem para que a situação possa "complicar" ainda mais e que este "seria um processo que estaríamos vivendo que vem de um longo tempo e que seria realmente uma ameaça ao futuro". Entretanto, o general deixou uma mensagem de otimismo em relação à situação do país ao dizer que está convicto de que "o País, a nação e as instituições terão capacidade de encontrar os caminhos e também de poder buscar a regeneração necessária para que o Brasil retome o caminho do crescimento e da evolução".

O militar assegurou que, em caso de saída do presidente da República do poder, as Forças Armadas terão papel garantidor no cumprimento da Constituição Federal e negou qualquer possibilidade de que pudesse haver intervenção e ocupação do poder pelos militares. #Governo #Corrupção #Crise no Brasil