Michel #Temer nunca escondeu que a grande prioridade do governo para 2017 seria a aprovação das reformas no Congresso Nacional, tanto a trabalhista como a da Previdência. O que ele não contava é no quanto a delação feita pelos empresários da JBS tem o potencial de atrapalhar esses planos. Após o vazamento do áudio de Joesley Batista, que acusa Temer de dar aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, o Planalto perdeu apoio entre os parlamentares.

Com isso, a base aliada foi reduzida e automaticamente o encaminhamento das reformas ficará mais difícil. Deputados de oposição já chegaram a dizer que não votariam "mais nada" enquanto Temer seguisse na presidência.

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Desde o agravamento desta crise política, que já dura mais de 10 dias, o apoio do governo na Câmara encolheu com a saída de quatro partidos, que passaram a fazer oposição: PSB, PPS, PTN e PHS, que juntos somam 66 deputados.

Antes da "bomba" ser lançada a partir da delação da JBS, o governo de Michel Temer tinha amplo apoio entre os parlamentares, o que era decisivo na intenção de aprovar as reformas e demais medidas de interesse do Planalto. Naquele instante, o governo contava com o apoio de bancadas, que, somadas, constituíam 413 dos 513 deputados presentes na Câmara. Esse número, agora, despencou para 347.

Convém lembrar que para o caso da PEC - Proposta de Emenda à Constituição - que altera as regras da aposentadoria seguir para o Senado Federal, serão necessários um mínimo de 308 votos dos deputados.

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Do contrário, a matéria, que é uma grande bandeira do governo Temer, não passa da Câmara.

Base aliada distante

O PSB foi um dos partidos que tomou a decisão de abandonar o governo Temer e fazer oposição a partir do vazamento da gravação de Joesley, que registrou uma conversa com o presidente ainda em março desse ano. A bancada do PSB na Câmara conta com 36 deputados e o partido já se pronunciou oficialmente no sentido de defender a renúncia do presidente.

Uma situação relativamente curiosa ainda liga o PSB à crise política. Embora o partido tenha decidido entrar para a oposição, o ministro Fernando Bezerra, de Minas e Energia, que integra o quadro da sigla, garantiu que vai se manter no cargo. Em nota divulgada na semana passada, Bezerra avaliou que sua saída em nada contribuiria para o fim da crise política pela qual o Brasil passa.

O PPS, que tem 10 deputados, vive situação semelhante. A sigla decidiu deixar a base aliada e dois ministros decidiram caminhos diferentes. Raul Jungmann, da Defesa, optou por seguir no cargo, enquanto Roberto Freire solicitou sua demissão do Ministério da Cultura.

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Arnaldo Jordy, líder do PPS na Câmara, disse em depoimento ao portal G1 que a renúncia de Temer é o melhor caminho para o Brasil nesse momento.

"Entendemos que o presidente Michel Temer já não tem mais condições de conduzir o país com a credibilidade que se faz necessária. Por isso, esperamos que ele opte por renunciar ao cargo", frisou.

O PHS e o Podemos, antigo PTN, também se desligaram da base aliada. Juntos, somam 20 deputados na Câmara. Ambos defenderam valores como "transparência" e "princípios éticos e morais" para justificarem a decisão de se afastar da base de Temer.

Por outro lado, o PSDB e o DEM, dois dos principais partidos brasileiros, seguem apoiando Temer no Congresso Nacional. Mas o apoio não é definitivo. A postura das duas siglas poderá sofrer mudanças de acordo com os novos fatos que se apresentarem em relação ao presidente da República. Se novas denúncias ocorrerem ou ficar provado que Temer cometeu algum ato ilícito, é provável que mais esses dois partidos se tornem oposição.