O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antonio Fernandes “Toninho” Costa, foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (5). A portaria de exoneração foi publicada no Diário Oficial da União em momento delicado, após conflito entre índios da tribo Gamela e fazendeiros no Maranhão – fato que repercutiu negativamente até mesmo no exterior.

Toninho, como é conhecido no meio, confirmou, em entrevista à grande mídia, que saiu porque não quis atender a um pedido para alocar aliados de congressistas na Funai. “Eu tenho um passado limpo e hoje é o dia mais feliz da minha vida. Eu #saio porque sou honesto e porque não me curvei e jamais me curvarei”, afirmou.

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Segundo apurou a revista Carta Capital, o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), teria pressionado Toninho para que nomeasse 25 aliados políticos para atuarem na Funai.

Apesar disso, Toninho resistiu às pressões e não nomeou os indicados, o que acabou culminando na demissão, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Assista ao vídeo que mostra o trecho em que Toninho denuncia o esquema proposto para empregar apadrinhados do líder do governo no Congresso na Funai:

Justificativa oficial

A demissão de Toninho ocorre após um massacre por causa de demarcação de terras, ocorrido no Maranhão, no último dia 30, envolvendo fazendeiros, posseiros e membros da tribo indígena Gamela, na cidade de Viana.

Recentemente, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, havia tecido críticas a Toninho pela demora nos procedimentos de demarcação de terras indígenas.

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Já Toninho teria acusado Serraglio de representar os interesses da bancada ruralista, enquanto ministro da Justiça. Vale lembrar que a Funai é subordinada à pasta de Serraglio.

Toninho ressaltou que o corte no orçamento federal, no início do ano, prejudicou sobremaneira a atuação da Funai e o desenvolvimento de várias ações no setor.

Serraglio veiculou uma nota justificando a exoneração de Toninho. O motivo alegado é que a Funai necessita de uma gestão mais “ágil e eficiente”.

Além de criticar a demora nos procedimentos para a regularização de terras, o ministro da Justiça citou citou o desbloqueio de rodovias, assim como a falta de providências da Funai para a instalação de uma linha de transmissão de energia elétrica em terras indígenas, como exemplos de falta de agilidade no órgão.

Repercussão

A repercussão da demissão de Toninho, assim como a declaração que ele fez à imprensa sobre sair por ser "honesto" foi muito forte nas redes sociais.

Mais uma vez, a demissão põe o governo do presidente Michel Temer em "saia justa", tendo em vista as denúncias que já culminaram na demissão de vários ministros, após o impeachment de Dilma Rousseff.

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Veja algumas opiniões:

Diante da versão dada por Toninho à imprensa, que expôs um suposto esquema de loteamento de cargos, a saída do presidente da Funai pode arranhar ainda mais a popularidade do presidente Temer, que anda em baixa, segundo apontam os próprios institutos de pesquisa, como o Datafolha. #Toninho Costa #demissão Funai